A necessidade de satisfazer um projeto pessoal de vingança move duas das mulheres mais poderosas da administração pública estadual. Uma delas, a mulher do governador, Alexandra Miguel Tavares, que há pelo menos três anos vem se consumindo num sentimento de ódio contra a senadora Roseana simplesmente porque ela não concebe que a senadora, mesmo estando longe do governo de seu marido ainda é, de longe, a personalidade política mais importante do Maranhão.
A outra, a corregedora-geral do Estado, promotora de Justiça Néa Bello. Filha do falecido governador Newton Bello, Néa não conseguiu transpor as divergências que colocaram em lados opostos o então jovem deputado José Sarney e o seu pai há quase 50 anos. Sarney elegeu-se governador do Estado em 1965, sepultando o vitorinismo, do qual Newton Belo era um dos últimos herdeiros. Por causa dessa derrota, cujas feridas já há muito deveriam ter cicatrizado, Néa Bello nutre um ódio doentio contra Sarney e contra tudo a que a ele se refere.
Pois bem, Alexandra Miguel e Néa Bello parecem ter firmado um insidioso pacto para tentar destruir a senadora Roseana, herdeira política de Sarney e, assim, satisfazerem o desejo de vingança que realimenta a vida pública de ambas. A intenção é forjar todo tipo de provas para comprometer a dignidade da senadora. Para isso, Néa Bello abandonou a isenção que deve nortear a conduta dos procuradores de Justiça para se engajar na campanha de difamação da filha do velho inimigo. E, adotando a mesma prática da sua patroa, torce fatos, forja documentos, manipula dados e faz com que suas mentiras pareçam verdades absolutas.
Néa Bello, a serviço de Alexandra e do marido dela, José Reinaldo, deixando de lado sua função precípua de corregedora, que é a de fiscalizar os atos do governo a que pertence, demonstra que sua atuação é apenas um ajuste de contas com o passado. A agressão, gratuita, à senadora Roseana em nada vai acrescentar à vida pública da procuradora de Justiça. Ao contrário, ao aliar seu destino ao governo mais corrupto da história do Maranhão, sepulta no lodo da subserviência qualquer serviço que tenha prestado em nome da dignidade da função pública que até então vinha exercendo.
Ser aliada de Alexandra e José Reinaldo não é mérito. Ao contrário. Estar na companhia dos dois é o mesmo que uma confissão de culpa; é mesmo que legitimar uma administração marcada pelas denúncias de corrupção, de malversação do dinheiro público e da compra de políticos para se ver livre dos prováveis e apenas adiados legítimos processos nas várias esferas do judiciário que certamente atingirão o governador e sua mulher.
No momento exato, no fórum exato, a senadora Roseana vai mostrar, a exemplo do que já fez outras vezes, que essa denúncia é mais uma sórdida montagem de um processo que visa denegrir sua imagem e tentar reduzir - como se isso fosse possível - a grande liderança que ela detém em todos os rincões do Maranhão.