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Planalto esboça plano para "guerra" contra oposição



Data de Publicação: 1 de novembro de 2005
 
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Se a oposição insistir em usar a acusação de que Cuba contribuiu para a campanha de Luiz Inácio Lula da Silva em 2002, o governo vai partir para o confronto.

Quem falou com Lula no final de semana encontrou um presidente contrariado e disposto a referendar uma guerra contra a oposição e setores da mídia.

O presidente acha que a oposição viu que após meses de investigação não encontrou nada de concreto contra ele e tenta agora criar um clima para seu impeachment ou seu eventual afastamento voluntário da sucessão de 2006.

Nas conversas reservadas, Lula disse que, se a oposição levar a sério a tese de impeachment, ele poderia seguir a linha do presidente da Venezuela, Hugo Chávez, que dividiu o país ao meio ao partir para uma luta direta contra a mídia e a oposição de seu país, que tentou, sem sucesso, tirá-lo definitivamente do poder com um golpe, em abril de 2002.

Na avaliação do Palácio do Planalto, se a oposição voltar a entoar o discurso de impeachment de Lula para valer, o presidente e o PT teriam duas saídas:

1) bater duro no caso Eduardo Azeredo, senador tucano que quando candidato ao governo de Minas recebeu recursos de Marcos Valério por meio de caixa dois. A tentativa é mostrar que o mensalão teria origem no PSDB;

2) ressuscitar suspeitas de corrupção da gestão FHC que o PT deixou de lado na transição de governo com o PSDB em 2002. Relatórios do período de transição permanecem inéditos até hoje por ordem de Lula, que, à época, preferiu não investigar eventuais suspeitas de corrupção para evitar que a economia sofresse. Quando Lula assumiu, havia risco de volta de forte processo inflacionário e desconfiança dos investidores no novo governo.

Dois interlocutores de Lula comentaram possíveis efeitos políticos da reportagem da revista "Veja" que acusa a campanha de Lula de ter recebido clandestinamente ou US$ 1,4 milhão ou US$ 3 milhões de Cuba.

O governo estuda duas possibilidades de investigação. A primeira, caso a avaliação dos ministros seja de que dificilmente surgirão provas concretas para agravar a crise, seria deixar o PT investigar as denúncias.

Caso a avaliação seja de que a repercussão é perigosa e ameaça envolver o Planalto, a opção do governo deverá ser a de acionar a Polícia Federal nas investigações.

"Linha dura"

Um auxiliar direto de Lula afirmou que a oposição vai querer tirar proveito para enfraquecer o governo. Disse ainda que a "linha dura" venceu.

"Linha dura" é um grupo de auxiliares do presidente e membros do PT que preferem partir para a guerra com a oposição a tentar algum tipo de entendimento que melhore o clima entre os dois lados.

Nesse grupo estão os ministros Luiz Marinho (Trabalho), Dilma Roussef, (Casa Civil), Luiz Dulci (Secretaria Geral), e o presidente do partido, Ricardo Berzoini, e seu antecessor, Tarso Genro.

Até a semana passada, essa ala era confrontada pelos ministros Palocci, Márcio Thomaz Bastos (Justiça) e Jaques Wagner (Relações Institucionais).

Wagner e Lula avaliaram que a nova Executiva do PT estava adotando uma linha muito dura e que só estimularia o conflito. O ministro chegou a telefonar para o senador Azeredo a fim de dizer que o governo não tinha interesse em dificultar sua vida por causa da revelação de que recebeu R$ 700 mil de Marcos Valério.

No meio da conversa, Azeredo passou o telefone ao líder do PSDB no Senado, Arthur Virgílio (AM), que ouviu de Wagner a ponderação de que PT e PSDB tinham elementos comuns na sua origem que recomendavam evitar uma guerra de destruição mútua.

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