O Maranhão tem assistido a um verdadeiro circo montado pelo governador José Reinaldo A definição de circo não é um mero exercício de retórica ou uma acusação descabida de um jornal de oposição. Ela é literal. Ao pé da letra. Embora depreciativa - não para o governador, mas para os heróicos palhaços verdadeiros - a alusão ao circo mostra que o que os senadores maranhenses desmontaram ontem foi uma palhaçada, planejada e financiada com recursos do povo do Maranhão, com o intuito de desviar a atenção da população para o crime cometido pelo governador José Reinaldo.
Os senadores Roseana, João Alberto, Edison Lobão e José Sarney expuseram ao Brasil a carcaça fétida da administração reinaldista e de seus aliados da Frente da Traição. Os quatro, em pronunciamentos memoráveis, mostraram de forma inequívoca que o governador não está seriamente interessado em resolver o problema da pobreza rural no estado. E os fatos revelados pelos senadores maranhenses são estarrecedores.
Vamos a eles. A Construtora Camargo Correa, alegando ter um saldo a receber de R$ 10 milhões por supostas obras realizadas para o extinto Departamento de Estradas de Rodagens, no governo de Luiz Rocha, em 1983, passou a cobrar dos sucessivos governos a fatura. Os governadores, todos eles, de Cafeteira, passando por João Alberto, Lobão, Fiquene e Roseana, se recusaram a reconhecer o suposto débito.
Vinte anos depois e atolado em dívidas de campanha, sem que fosse instado por qualquer decisão judicial e sem nenhuma pressão de organismos de fiscalização federal, o governador “ressuscitou” o esqueleto da Camargo Correa há muito esquecido nos arquivos do Judiciário.
Menos de um mês após a sua posse o governador José Reinaldo propôs um acordo imoral e ilegal à Camargo Corrêa, que apresentou, de forma esperta, nova fatura. O suposto débito pulara de R$ 10 milhões para estratosféricos R$ 260 milhões. A construtora, sem que tivesse comprovado a existência do débito, aceitou “gentilmente”, fazer um “acordo”, no qual “renunciou” a mais de R$ 100 milhões, para ficar com a bagatela de R$ 147 milhões de reais, mais de 67 milhões de dólares.
Sem amparo legal para transacionar com a Camargo Correa, José Reinaldo fez aprovar pela Assembléia Legislativa, a toque de caixa, um projeto de lei imoral e ilegal, que omitindo a transação judicial que acertara com a construtora, permitia que ele resgatasse “obrigações oriundas de contratos administrativos”. Três dias depois fechou o acordo e desde então os cofres públicos de nosso estado vêm sendo regiamente sangrados todos os meses em milhões de reais.
Pensando que com a burla praticada contra a Assembléia estaria “coberto”, esqueceu que a transação teria que ser aprovada pela Secretaria do Tesouro Nacional e validada pelo Senado Federal. Como a ilegalidade foi detectada pelo governo federal, porque o acordo não tem amparo legal, o governador aproveitou o pedido de empréstimo dos 30 milhões de dólares para desviar a atenção do crime que cometeu. Por isso montou o circo.
O que Roseana, Lobão, João Alberto e Sarney fizeram ontem foi derrubar, a golpe da mais legítima indignação, o picadeiro reinaldista, quando revelaram à Nação o acordo espúrio e altamente suspeito entre o governador e uma empreiteira.