Acatando a representação formulada pela delegada Ana Karla Silvestre, titular da Delegacia de Proteção a Criança e Adolescente, o juiz José Joaquim Figueiredo dos Anjos, da 2ª Vara Criminal, e que também responde pela Vara Especializada em Crimes Contra Criança e Adolescente, decretou a prisão preventiva do padre Félix Barbosa Carreiro, 43 anos.
Félix foi preso quando prestava um novo depoimento à DPCA. Em coletiva na tarde de ontem, o juiz explicou as razões que o levaram a acatar a representação da delegada. A decisão judicial foi cumprida por volta das 12h30.
“Apesar de bons antecedentes e de ser réu primário, o grande número de vítimas e a aplicação da lei penal me fizeram acatar a representação”, afirmou o magistrado. A representação do pedido de prisão preventiva foi feita pela delegada ainda na segunda-feira. No final do depoimento, padre Félix foi conduzido para o Comando Geral da Polícia Militar, onde ficará aguardando o pronunciamento da Justiça.
Conforme rege o Código de Processo Penal, a delegada terá dez dias para encaminhar o inquérito à justiça que, por sua vez, terá 81 dias para concluir a instrução criminal, Artigo 499 (diligências), e alegações finais, finalizando com a prolatação da sentença.
Segundo informações do juiz, só existem duas possibilidades do padre responder ao processo em liberdade: revogação da prisão, que deverá ser apreciada pela autoridade coatora, no caso José Joaquim, e a outra é um pedido de habbeas corpus, que deverá ser apreciado pelo Tribunal de Justiça.
Novas declarações
Em novo depoimento prestado na manhã de ontem, antes de tomar ciência da prisão preventiva,o padre Félix teria negado várias declarações anteriores, entre elas, a de consumo de bebidas e drogas. Nos últimos dias, mais de dez jovens já prestaram depoimentos. De acordo com a delegada Ana Karla, o teor das informações prestadas pelas vítimas coadunam umas com as outras.
“Alguns jovens declararam que foram agredidos fisicamente pelo padre, embriagado, que a todo custo queria manter relação sexual com os mesmos”, informou a delegada.
Diferente do que foi divulgado, na noite de domingo, ou seja, menos de 48h depois da prisão em flagrante, o padre Félix foi beneficiado por um Alvará de Soltura concedido pelo juiz Fernando Mendonça, da Vara de Execuções Penais, que concedeu a medida cautelar a fim de que ele pudesse responder o processo em liberdade.
Alta incidência
O magistrado mostrou surpresa no interesse da imprensa no caso, tendo em vista que, segundo ele, a incidência desse tipo de crime é comum na capital. “Cerca de 125 audiências, envolvendo menores, são realizadas aqui todos os meses”, disse o juiz. Dentre as modalidades de crime, atentado violento ao pudor é a campeã, enquanto maus tratos não chegam a 2%. Atualmente, cerca de 500 processos estão em tramitação.
Por determinação do secretário de Segurança, Raimundo Cutrim, a partir de agora, a delegada não mais dará qualquer informação sobre o caso. Essa incumbência ficará a cargo do superintendente de Polícia da Capital, delegado Marcos Affonso Júnior.
Entenda o caso
Félix foi surpreendido em companhia de dois menores no motel Fly, no Cohajap. Exercendo a função há 16 anos, o padre Felix afirmou que há 10 anos começou apresentar desvio de conduta, tendo se agravado nos últimos cinco anos. Em 2002, através de uma denúncia anônima, quando era pároco da igreja do Parque Timbira, o comportamento libidinoso chegou ao conhecimento do Ministério Público e da Polícia Judiciária e, consequentemente, da Arquidiocese do Maranhão.
“Como condição de permanecer exercendo as funções de padre, o arcebismo Dom Paulo Pontes propôs que me submetesse a um tratamento psicológico, o que aconteceu em 2002, quando um casal de amigo meu custeou o tratamento”, declarou. Ele ainda disse que, ao tomar conhecimento do caso, Dom Paulo pediu que ele procurasse uma alternativa para não submeter à Igreja a um escândalo.
Ao ser questionado se o dinheiro da igreja era usado para bancar suas orgias, ele disse que “as atividades como padre sustentavam seu divertimento e lazer”. Além de admitir o relacionamento sexual com adolescentes, o padre também confessou que nas orgias promovidas sempre rolava muita bebida e maconha.
Novas denúncias
Conforme denúncias anônimas, outro padre teria sido denunciado por prática semelhante a do padre Félix. “Eu vou ouvir as vítimas, chamar o outro padre para prestar esclarecimentos”, complementou a delegada. O nome do outro padre não foi divulgado.