Uma padaria escola que funciona na rua 3, no São Francisco, é responsável por abastecer todas as unidades da Fundação da Criança e do Adolescente - FUNAC, ligada à secretaria da primeira-dama, Alexandra Tavares, mas para isso se utiliza do trabalho de jovens a preço irrisório ou, em alguns casos, sem nenhuma remuneração, o que representa uma exploração do trabalho juvenil.
Segundo um rapaz que não quis se identificar, a diretora da padaria só tem de legal o sorriso. Da bolsa que recebem (R$ 176,00, sem vale transporte ou qualquer outra ajuda) as faltas são descontadas. Mas quando eles trabalham além das 5 horas acordadas para atender as encomendas recebidas pela padaria, não recebem hora extra.
Além de pouca, a bolsa ainda atrasa - no ano passado houve atraso de até 3 meses. Eles são informados sobre encaminhamentos a empregos, mas na prática, o rapaz diz que desconhece qualquer encaminhamento. “Isso é conversa!”, exclama. O rapaz reclamou da alimentação que fornecem. Diz que “não é boa”. E diz que se ficarem doente, com o rigor com que recebem e dependendo da saúde pública a situação se complica.
Um outro rapaz, o Carlos Santos, também auxiliar na padaria, contou que só trabalha na fabricação dos pães quem se inscreve no curso dado pelo Governo. Os que concluem o curso ficam para ensinar aos aprendizes, que nada recebem pelo serviço. O trabalho acontece nos dois turnos - pela manhã e à tarde, sempre com 3 concludentes e alguns aprendizes. Carlos diz que na época em que era aprendiz recebia apenas vale transporte, agora não sabe se os aprendizes recebem.
Carlos Santos disse que os pães são feitos pelos alunos da manhã e os da tarde assam e fazem outros salgados. A padaria abre somente à tarde das 13 às 19h. Às vezes falta material e não abrem a padaria. O outro rapaz do início da matéria contou que já passaram mais de 15 dias sem material para fabricar os pães. A informação foi confirmada por um morador próximo, que também não quis se identificar, “quando tem trigo funciona, quando não, passam até semanas fechado”, disse.
Procurada para falar com Veja Agora, a diretora da padaria informou que existe uma portaria assinada por todos os funcionários da instituição não permitindo que dêem entrevistas sem autorização da Funac. Com um pouco de insistência ela disse que a já funcionam há mais de 10 anos, atendendo crianças em situação de riscos sociais.