Por procuração 1
Há quem se recuse a acreditar que Dilma Rousseff tenha agido por conta própria ao desqualificar a política econômica de Antonio Palocci. Ou que seja fortuita a coincidência temporal entre o surto da chefe da Casa Civil e o cerco das investigações em torno do ministro da Fazenda.
Por procuração 2
De acordo com essa teoria, está em curso uma encenação destinada a atribuir a eventual saída de Palocci ao ‘fogo amigo’, e não à água que lhe sobe pelas pernas na CPI dos Bingos.
Ponto futuro
‘Lula rifou Zé Dirceu, e agora vai rifar Palocci’, diz um veterano de Brasília. ‘Ou simplesmente torná-lo irrelevante.’ E, então, ceder à vontade de gastar, que crescerá na medida em que se aproximar a eleição de 2006.
Combinação explosiva
Um petista pró-equipe econômica desdenha da teoria conspiratória sobre a ação da chefe da Casa Civil: ‘É coisa da Dilma mesmo. Mistura de pensamento jurássico com comportamento de Organizações Tabajara’.
Deu a louca
Não satisfeita em detonar Palocci e Paulo Bernardo, Dilma fritou Marina Silva em jantar com senadores. Disse entender o ‘lado’ da colega, que no entanto estaria deixando a questão ambiental emperrar obras de infra-estrutura e a regulamentação da Lei de Biossegurança.
Ricota e cenoura
O jantar oferecido à titular da Casa Civil incluiu de carneiro a bacalhau e nada menos que cinco sobremesas. Mas a macrobiótica Dilma pediu que lhe fizessem apenas um peixe cozido com arroz integral e legumes.
Concretudes 1
Renan Calheiros cutucou Palocci por dois motivos: a ação direta de inconstitucionalidade movida contra o Congresso por conta do reajuste dos servidores e uma queda-de-braço entre o Tesouro e o governo de Alagoas.
Concretudes 2
O presidente do Senado tentou mexer no acordo de renegociação da dívida de Alagoas. Não obteve sucesso: ontem foram retidos R$ 47 mi de receitas do Estado. Renan chorou suas mágoas no jantar com Dilma.
Hora extra
Entre os motivos do governo para tentar evitar a prorrogação da CPI dos Correios, um requer especial atenção: os dados relativos às contas de Duda Mendonça no exterior. Petistas consideram impossível manter os sigilos longe da comissão até abril.
Próximos capítulos
Além de insistir com os EUA para ter acesso ao sigilo de Duda, a CPI vai agora dissecar as operações de 2003 da Visanet e o papel das corretoras no esquema de repasses de recursos.
Esqueça o Haiti
O carro oficial do ministro Gilberto Gil, que escreveu com Caetano Veloso os versos ‘e ao furar o sinal/o velho sinal vermelho habitual/pense no Haiti/ reze pelo Haiti’, furou o sinal vermelho às 9h10 de ontem, perto da rodoviária de Brasília.
Ação de despejo
Em novo capítulo da guerra entre o clã Sarney e o governador José Reinaldo (PSB-MA), este planeja criar uma biblioteca no convento das Mercês, hoje sede da fundação que leva o nome do ex-presidente. Projeto do deputado Aderson Lago (PSDB) anula a doação do prédio.
TIROTEIO
Do senador Álvaro Dias (PSDB-PR) sobre o depoimento de Vladimir Poleto, envolvido no caso dos supostos dólares cubanos, à CPI dos Bingos:
Só há duas alternativas: indiciamento por calúnia ou internação por mitomania.
CONTRAPONTO
Clube do Mickey
Em sua terceira aparição na CPI dos Bingos, Rogério Buratti, secretário de Antonio Palocci na Prefeitura de Ribeirão Preto (SP) entre 1993 e 1996, estava muito à vontade ontem, apesar da gravidade das acusações que pesam contra ele e o PT.
Logo no início da sessão, o relator da CPI, senador Garibaldi Alves (PMDB-PB), solicitou aos técnicos que colocassem o áudio de uma gravação telefônica para a análise do plenário.
Em silêncio, os presentes ouviram trechos de um diálogo. Encerrada a apresentação, o relator perguntou a Buratti:
_O senhor reconhece algumas dessas vozes?
Como a qualidade da gravação fosse precária, um dos parlamentares brincou:
_Senador, pelo jeito, uma delas é do Pato Donald!
Rindo, Buratti identificou seu ex-colega de prefeitura:
_É do Vladimir Poleto!