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Suspeito de envenenar crianças em hospital do Rio é preso



Data de Publicação: 12 de novembro de 2005
 
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Um técnico de enfermagem que trabalhava no hospital da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), na ilha do Fundão, zona norte da cidade, foi preso ontem acusado de dar sedativos, barbitúricos e psicotrópicos a crianças e bebês internados na emergência pediátrica da unidade.

Pelo menos 15 crianças, com idades entre 1 e 10 anos, tiveram parada respiratória e quase morreram em decorrência da medicação ministrada em grandes quantidades.

O técnico em enfermagem começou a levantar suspeitas porque a alteração do quadro clínico de saúde das crianças ocorria justamente nos seus dias de plantão.

O profissional de enfermagem está preso preventivamente na Polícia Federal, mas nega que tenha ministrado remédios em grande quantidade aos pacientes da emergência pediátrica do hospital da UFRJ.

“O que chamava a atenção é que o quadro clínico não fazia sentido com o que levava as crianças ao hospital. As crianças tinham outras doenças, mas apresentavam subitamente parada respiratória, depressão respiratória ou neurológica”, afirmou Antonio Ledo, diretor do hospital do Fundão.

A direção da unidade pediátrica descobriu que o técnico de enfermagem sempre carregava uma bolsa com remédios de tarja preta. O enfermeiro alegou à polícia que pacientes de outros hospitais onde ele trabalhava poderiam precisar da medicação.

O suspeito trabalha em duas outra unidades do Rio, entre elas o Miguel Couto, hospital público mais importante da zona sul do Rio de Janeiro.

O técnico de enfermagem atua na emergência pediátrica da UFRJ desde 2002. Nesse período, quatro mortes foram registradas ali. A direção do hospital investiga se há relação entre o enfermeiro e os óbitos.

Uma sindicância interna foi aberta pela direção do hospital, que vai investigar, junto com a PF, todos os prontuários desde que o enfermeiro começou a trabalhar ali.

“O enfermeiro é conhecido pelos colegas como um profissional tranqüilo e atencioso, mas ele pode ser um psicopata”, disse a vice-reitora da UFRJ Silvia Vargas.

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