Para os mais céticos, a idéia de que Yasser Arafat não morreu de causas naturais, mas, sim, envenenado pelos israelenses, não passa de mais um exemplo de teorias absurdas de conspiração.
Mas muitos palestinos têm certeza de que foi isso que aconteceu. E mesmo entre israelenses não é difícil encontrar quem ache a história plausível.
As suspeitas em geral se baseiam em dois elementos principais: a inconclusividade do atestado de óbito emitido pelo hospital francês onde Arafat morreu e as suspeitas levantadas pelo médico particular do líder palestino.
No lado palestino as autoridades evitam acusações diretas que poderiam elevar a tensão com Israel, mas invariavelmente deixam aberta a porta da possibilidade.
No mês passado uma comissão ministerial palestina divulgou um relatório sobre a morte de Arafat no qual a causa do óbito é deixada como uma questão em aberto.
O relatório médico feito na França em 19 de novembro de 2004 - e que até o mês passado foi mantido confidencial - diz que Arafat morreu “de um acidente vascular cerebral hemorrágico generalizado”.
Mas o médico-chefe do hospital em Paris onde Arafat morreu, Bruno Pats, diz no laudo que não foi possível descobrir o que exatamente iniciou o processo que culminou na hemorragia cerebral.
“Depois de consultas a numerosos especialistas de diversas áreas e de análise dos exames (de Arafat) não foi possível estabelecer um quadro nosológico (identificação de doenças) que pudesse explicar a associação de síndromes (que provocou a hemorragia)”, diz o texto.
O médico particular de Arafat, Asharaf Al-Kurdi (também médico da família real da Jordânia), reforçou as suspeitas quando disse que achava possível que Arafat tenha sido vítima de um envenenamento.
Amos Harel (do jornal Haaretz) e Avi Isacharoff (da rádio estatal israelense) levantam no livro A Sétima Guerra de Israel - publicado em outubro deste ano - as hispóteses de envenenamento, infecção ou complicações decorrentes da Aids.
Em declarações à imprensa, o primeiro-ministro Palestino, Ahmed Qorei, não descartou as hipóteses de envenamento ou infecção, mas disse que falar em Aids era só parte da campanha para destruir a imagem do líder palestino.