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Os eleitos do rei



Data de Publicação: 13 de novembro de 2005
 
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O governador José Reinaldo, a bem da verdade, sempre procurou se cercar de um restrito número de pessoas em quem pudesse confiar e exercitar seu jogo de poder. Homem pouco afeito às badalações, raramente acompanha a esposa às baladas de que ela tanto gosta. Ela, ao contrário, sempre gosta de mais gente, de multidões e de festa, muita festa.

Talvez isso explique porque o governador tem adotado no governo - assim como na vida conjugal -, medidas que restringem o número de pessoas com as quais possam partilhar as facilidades que o poder oferece. Em vez de administrar com um número grande de assessores e de trabalhar politicamente com todas as lideranças políticas, ele, elitista, prefere os mais próximos.

Assim é que, na política, o governador faz uma miscelânea com as quatro operações matemáticas. Para somar, subtrai. Ao multiplicar, diminui. Ou seja, para agregar apoio para sua desastrosa e irresponsável administração, atraiu para seu partido o presidente da Famem, Cleomar Tema. Cooptado a peso de ouro, Tema, ao invés de agregar valores à saga reinaldista, só conseguiu atrair a ira dos outros prefeitos, que viram na liberação de milhões de reais liberados para a prefeitura de Tuntum uma traição aos que não se aliaram ao governador, mas apoiaram a eleição de Tema para a Famem. Afinal, porque só o presidente tem direito a esse generoso naco de verbas e os outros prefeitos ficam a ver navios?

A preferência reinaldista por uns poucos é vista também na Região dos Cocais. O prefeito de Caxias, Humberto Coutinho é o escolhido do rei para comandar a divisão do butim que ora sangra os cofres públicos. A liberação de mais R$ 6,9 milhões de reais esconderia, na verdade, um esquema de beneficiamento de parlamentares alinhados com o Palácio dos Leões. Há meses se denunciou que o apoio de cada parlamentar ao governador custaria R$ 500 mil reais, sendo que a metade ficaria para as prefeituras sob influência dos deputados e a outra metade, supostamente, financiaria campanhas desses deputados.

Em Caxias, seis milhões seriam divididos entre doze deputados e a maior parte, mais de 900 mil, seria para a prefeitura comandada por Coutinho. O dinheiro é “legitimado” através de convênios e liberação de emendas parlamentares. Os mesmos que são beneficiados no esquema. Aqui, repete-se a mesma situação onde o governador escolhe quais prefeituras serão beneficiadas. Note-se que apenas prefeitos ligados umbilicalmente ao esquema do governador foram beneficiados. Uma, do presidente da Famem, que deveria defender os interesses de todos os prefeitos. A outra, da terceira maior cidade do Maranhão e cujo prefeito tem sido um dos mais ardorosos defensores do governador. Enquanto isso, outras 215 prefeituras são preteridas pelo governador, relegadas a uma situação de abandono e sem acesso aos recursos do estado que são liberados às escâncaras para apenas um grupelho que participa do festival de ilegalidades.

Por denunciar tudo isso Veja Agora tem sido ameaçado de processos e mais processos. Veja Agora não teme os processos, e tem no instituto legal da exceção da verdade uma arma mortal contra aqueles que estão roubando o estado impunemente.

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