Um dos principais pontos turísticos de São Luís, a Avenida Litorânea não tem dado aos seus visitantes uma boa impressão. Calçadas e bancos quebrados, instalação elétrica exposta, contêineres sujos e cheios de lixo por vários dias e areia invadindo a pista são apenas alguns dos problemas na estrutura física. Assaltos e escuridão à noite completam o vergonhoso cenário de abandono em que se encontra um dos cartões postais da cidade.
As construções irregulares proliferam por toda a avenida. Em várias barracas, já é possível observar construções de alvenaria, que, segundo Nilson Basiliano, superintendente de fiscalização da Semthurb, são proibidas por lei. Ele garantiu que vão fiscalizar e “derrubar” os empreendimentos que estiverem incorretos.
Reclamações
Proprietário de um quiosque na Avenida há 3 anos, Josias Moraes Martins reclama. “Acompanhei tudo aqui desde a construção e, em tão pouco tempo, já está tudo quebrado”. Ele atribui o descaso ao poder público, que não sabe separar as obrigações por prioridades. “Esses políticos se preocupam só em brigar entre si e abandonam a cidade”, disse.
Para a vendedora de Guaraná da Amazônia Maria Cristina Soares, as autoridades deveriam se prevenir quanto a essas eventualidades. Segundo ela, mesmo com as insistentes reclamações, os problemas nunca foram solucionados. Um exemplo é a energia elétrica que falta diariamente. Cristina contou que houve três segundas-feiras em que a Companhia Energética do Maranhão (Cemar) comunicou aosbarraqueiros que iria parar o fornecimento por algum tempo para manutenção na rede, mas o problema não foi resolvido e as quedas de energia continuam.
Parquinho
No parquinho destinado à diversão de crianças e na praça de alimentação que funciona à noite no local as irregularidades são inúmeras. Brinquedos e muretas de proteção quebrados, banheiros públicos sem nenhuma higiene, sem lâmpadas, portas rachadas e com trincos quebrados e ralos sem tampa. No anfiteatro (ou pelo menos onde deveria ser) a lona está rasgada, alguns cabos de sustentação arrebentados e as janelas, sem esquadrias.
Segundo o vendedor Francisco Araújo, na época da Gerência Metropolitana existiam vigias e zeladores responsáveis pela área. Atualmente, alguns barraqueiros pagam vigia, mas nem isso impede a criminalidade.
Ao lado dos banheiros funcionava um ambulatório que, depois, virou um escritório. Hoje, só restam as paredes, muita sujeira e um mau cheiro insuportável que aumenta com o acúmulo de fezes nos sanitários e no chão.
Francisco se ressente de ver a grama morrendo e todo o patrimônio quebrado. Uma torneira que ficava próximo ao seu quiosque e servia para o vendedor regar todo o mato também foi roubada, e ficou jorrando água por muito tempo, até a Caema resolver fechá-la.
Apenas uma viatura
Falta de segurança é outro problema na avenida. “Só tem um carro da polícia para a orla toda.Quando chegam ao final da rota, o começo já foi todo assaltado”, disse Maria Cristina, vendedora de guaraná. O trailler onde trabalha foi arrombado e levaram todos os liquidificadores e a bomba d’água.
Para o jornalista Jesus Santos, a única polícia que se vê na praia é a de trânsito. “É o Detran passando para multar os motoristas e aumentar o caixa do governo”, criticou. A sua indignação é que um local freqüentado por turistas não poderia ficar tão exposto, como se não houvesse assaltantes em todos os lugares. “Se assaltarem um turista, ele não volta mais”, afirmou.
Denúncia
Proprietário de um bar próximo a uma subestação da Caema, Fernando José Reis denunciou, oito meses atrás, à Secretaria de Meio Ambiente, que o esgoto estava escorrendo pela via pluvial e poluindo a praia, “mas nunca vieram fiscalizar. Fico indignado como a secretaria que é responsável por essa área ignora uma situação dessa, sem ao menos vir comprovar a informação”, disse.
Fernando reclama também dos “apagões” que já lhe causaram prejuízos enormes. “Já eram comuns as quedas de energia, mas, de uns 3 meses para cá, se agravaram”, informou. A sua perda mais significante foi a de um projetor que, segundo ele, custou mais de 5 mil reais.
Sugestões
Por ser um dos principais atrativos da cidade, as praias, independentemente de todos esses problemas, serão sempre a alternativa para quem quer descansar ou se divertir. Na opinião de Cecília Vieira, aposentada, os donos de bares deveriam ser incentivados a melhorar seus estabelecimentos.
Para Jesus Santos, é necessário que se construam banheiros públicos permanentes e não apenas nos períodos de festas. Outra coisa que ele observa é que são disponibilizados poucos salva-vidas de plantão e eles ficam apenas centrados nos postos. “Nunca vi nenhuma emergência, mas acho que eles não dariam conta”, imagina.
No quesito segurança, o ideal, na opinião de Fernando Reis, era o estabelecimento de um posto policial permanente. “Isso traria mais tranqüilidade para os turistas”, garante. Fernando ainda critica que um turista que não conheça ninguém na cidade pode ficar perdido por falta de pessoas treinadas para dar informação. Para solucionar esse problema, ele sugere que sejam construídos quiosques especializados em atendimento ao turista em cada ponto turístico para essa finalidade e outras necessidades que um visitante possa ter.