O aumento da tensão política e a expectativa com as operações de "swap cambial reverso" do Banco Central pressionaram o dólar hoje. A divisa subiu 2,12% no dia, interrompendo uma seqüência de dez quedas, e fechou a R$ 2,21.
Também colaborou com a alta da moeda norte-americana o leilão de compra do BC no mercado à vista. No momento do anúncio do leilão da autoridade monetária, o dólar era negociado com alta de 1,89%, a R$ 2,205. Segundo analistas, a instituição aceitou apenas quatro propostas para compra e pagou no máximo R$ 2,204 por dólar.
Na noite da última sexta-feira, o BC informou que poderá realizar leilões de "swaps cambiais reversos" em qualquer dia da semana, e não mais semanalmente.
Nesse tipo de operação, o BC oferece aos investidores contratos com remuneração atrelada aos juros (Selic) em troca ("swap" em inglês) da variação do câmbio em um determinado período. O contrato é chamado de "reverso" porque o normal é o contrato oferecer a variação do dólar em troca da oscilação dos juros.
Na prática, o BC, ao emitir esses papéis, aquece a demanda pela moeda norte-americana, o que pode barrar novas quedas ou até mesmo elevar a cotação do dólar.
Desde o dia 9 de março o BC não realiza 'swap cambial'. Na nota divulgada na última sexta-feira, o BC informa ainda que as características de cada leilão serão anunciadas no dia anterior à sua realização.
O mercado acompanhou também o quadro político, após as notícias sobre a possível saída de Antonio Palocci do Ministério da Fazenda. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva se esforçou neste final de semana para deixar claro que Palocci só deixa o cargo se quiser.
Para Jason Freitas Vieira, economista da consultoria GRC Visão, a possibilidade de o BC retomar o "swap cambial" foi o que mais pressionou o câmbio e a crise política, com especulações sobre a saída do ministro Antonio Palocci do governo, "foi só um tempero extra".
Fonte: Folha Online (www.folhaonline.com.br)