O presidente do México, Vicente Fox, anunciou nesta segunda-feira a retirada de seu embaixador na Venezuela, Enrique Loaeza, depois que Caracas tomou uma medida similar e rejeitou um ultimato dado pelo governo mexicano.
Pouco antes, o ministro das Relações Exteriores da Venezuela, Ali Rodríguez, tinha lido um comunicado oficial no qual ordenava "o retorno imediato" do embaixador venezuelano na capital mexicana, Wladimir Villegas. O texto também classificava o ultimato mexicano como "uma agressão sem sentido", que exigia de Caracas desculpas pelas críticas do presidente venezuelano, Hugo Chávez, a Fox.
"Tínhamos solicitado esse pedido de desculpa, que não veio, e desta forma tínhamos estabelecido que em 24 horas retiraríamos nosso embaixador [em Caracas], e de fato vamos fazê-lo", disse Fox em entrevista exclusiva à rede de televisão CNN.
Fox acrescentou que seu chanceler, Luis Ernesto Derbez, vai se encarregar de dar os próximos passos quanto às relações com Caracas, e disse estar "aflito com a situação".
"Minha opinião é clara no sentido de que nossa estima pelo povo venezuelano é muito ampla. É lamentável que isto esteja ocorrendo, ainda mais quando se trata de assuntos que não têm nada de pessoal."
O presidente mexicano tem mantido uma controvérsia com Chávez em relação à postura de cada um na questão da criação da Alca (Área de Livre Comércio das Américas).
Fox disse nesta segunda-feira que "não vale a pena que um tema econômico e de desenvolvimento derive em assuntos pessoais, com qualificativos que não têm sentido".
Chávez havia acusado Fox de ser um "filhote do império" [referindo-se aos EUA].
O virtual candidato do Partido Revolucionário Institucional (PRI) à Presidência do México em 2006, Roberto Madrazo, ofereceu nesta segunda-feira seu "apoio absoluto" à posição de Fox em relação à crise com a Venezuela.
Fonte: Folha Online (www.folhaonline.com.br)
Foto montagem: Gilberto Léda