ExpedienteEdições AnterioresMapa do SiteFale Conosco
EDITORIALPOLÍTICACOLUNASSÃO LUÍSENTRETENIMENTOESPORTEGERALPOLÍCIA
São Luís -
Home » Edições Anteriores » Novembro/2005 » Edição 97 » Especial

JP desencarta o ‘Colunão’



Data de Publicação: 15 de novembro de 2005
 
Diminuir corpo de textoAumentar corpo de texto

ÍndiceTexto AnteriorPróximo Texto

EDITOR : Walter Rodrigues

Entra em recesso o semanário independente. Que aconteceu?

Está desfeito o contrato que durante mais de oito anos, desde 1997, encartou o Colunão nas edições de domingo do Jornal Pequeno, um dos principais diários de São Luís. O motivo declarado, mas falso, foi que o saite do Colunão passou a oferecer um linque para Veja Agora, matutino que ataca a família Bogéa, dona do JP. Há linques mais antigos, no Colunão, para O Estado do Maranhão, O Imparcial e para o próprio JP. Não há linque para o Colunão no saite do JP.

O motivo verdadeiro é que o jornalista Lourival Bogéa, diretor-geral do JP, cedeu a pressões irresistíveis do ex-prefeito de Bacabal, José Vieira, acusado pelo Ministério Público de improbidade administrativa e investigado pela Polícia Federal sob suspeita de envolvimento em grilagem, violência e outros delitos.

Lourival deve favores materiais a Zé Vieira, atual gerente de desenvolvimento regional do Governo do Estado para a região do Médio Mearim. Entre outros mimos, o ex-prefeito manda buscá-lo de avião para participar de festas em suas fazendas no município Bacabal. Trato-o como patrão generoso mas exigente.

Desde que conheceu seu atual apartamento na Ponta do Farol, onde um repórter do JP deu com ele de chave na mão, em companhia do prefeito Zé Vieira, Lourival tornou-se mais sensível às exigências do mandachuva de Bacabal. Chegou ao extremo de protestar contra a simples notícia (até hoje omitida no JP) de que o MP representou por improbidade contra o ex-prefeito. A reclamação, por escrito, incluiu manifestações de angustioso conflito entre o jornalista, criado no apreço aos fatos, e o devedor encurralado.

As exigências de Zé Vieira, herdeiro do esquema político do falecido deputado quadrilheiro Davi Alves Silva no Vale do Mearim, tornaram-se mais severas e implacáveis depois que o Colunão, acionado por trabalhadores rurais indefesos, contou com exclusividade a verdadeira história da chacina na fazenda Comboio, em Bacabal. Matéria mais recente do Colunão sobre o mesmo tempo levou Zé Vieira a manifestar a intenção de processar o que chamou de “detratores”. Não cumpriu a promessa, mas acentuou as cobranças sobre o diretor do JP.

Conflitos entre Zé Vieira e os trabalhadores rurais do vale do Mearim remontam aos anos 1970/80. No episódio mais conhecido, em meados dos anos 80, capangas do atual prefeito atacaram até com armamento militar um povoado que resistia à grilagem, conhecido Aldeia. O processo durou anos. Zé Vieira conseguiu escapar, porém o irmão dele, condenado, precisou fugir do Maranhão.

A decisão da diretoria do JP inviabiliza por enquanto o semanário independente. A partir de hoje o Colunão entra em recesso mais ou menos até o final do ano. Nosso saite, entretanto, continua disponível, de modo que o leitor possa viajar pelas últimas quinze edições do arquivo, ler textos da antologia (que segue sendo ampliada) e usar os linques para outros locais da Internet, inclusive os principais diários de São Luís. Daqui a um mês mais ou menos, este jornalista inaugura experimentalmente um blogue de notícias e comentários breves, enquanto busca os meios para recomeçar o semanário no ano que vem.

Para contar com mais detalhes a história da desarmonia entre o Colunão e o JP, é necessário prosseguir a narrativa na primeira pessoa.

Aliança contra o crime
O contrato verbal entre o Colunão e o JP estabelecia a absoluta liberdade de opinião e informação, sem prejuízo do diálogo permanente e das amizades fraternais.

Durante algum tempo, nossas relações foram além do contrato, baseando-se num sincero companheirismo. Ajudei o JP a livrar-se de situação humilhante e injusta na Justiça Federal (com uma atuação que até hoje me rende inimizades) e mais adiante a escapar de condenação possivelmente draconiana, num processo de indenização por danos morais. Foi por minha indicação que contrataram um escritório de advocacia eficaz para proteger-se de novos dissabores.

O mais importante é que tive algo a ver com a posição assumida pelo JP em 1997, quando deixou para trás um passado de tolerância com a pistolagem, a tortura e a corrupção policial, passando a combatê-las como compromisso moral.

Naquele ano, a pedido do diretor-geral Lourival Bogéa, redigi o primeiro e marcante editorial em que o JP, sem radicalismos inúteis, mas com firmeza e altivez, convocou o Governo e a sociedade à reação. Foi logo após a “queima de arquivo” dos assassinos do delegado Stênio Mendonça. Seguiu-se o período em que o novo secretário de Segurança, Raimundo Cutrim, auxiliado por duas CPIs e por uma imprensa renovada (à frente o JP e a Rádio Educadora, com o óbvio apoio do Colunão) conduziu as investigações que levariam à captura de perigosos pistoleiros, à cassação e prisão de dois deputados e à expulsão e prisão de delegados e outros policiais lombrosianos.

Hoje o JP está de volta aos tempos em que defendia o “esquadrão da morte” do delegado Luís Moura, no final dos anos 70 do século passado. Agora esconde ou minimiza violações de direitos humanos e tudo submete a conveniências financeiras e ao chapabranquismo do diretor-geral. É comentado até pelos funcionários do jornal, em tom de bom-humor, que ali a notícia não é o assalto, mas sim que a Polícia prendeu o assaltante. Não é que os morcegos atacaram e mataram 10 ou 20 pessoas, mas sim que a secretária de Saúde declarou guerra aos morcegos. As edições de segunda-feira destoam porque o diretor-geral não trabalha aos domingos. Sobretudo nada se publica ali que possa incomodar a sesta do “gerente” Zé Vieira.

Cantorias na madrugada
Após o grande momento do “combate ao crime organizado”, entre 1997 e 1999, o JP começou a sofrer uma nova mutação. Da estreita amizade com o secretário de Segurança, Lourival Bogéa deslizou pouco a pouco para entendimento e até intimidades com a família Sarney, cuja mansão passou a freqüentar em cantorias da madrugada.

É dessa época uma entrevista de Lourival à revista Parla, na qual declara que o JP “nunca foi oposição”, apenas “independente”... O deputado Manoel Ribeiro, presidente da Assembléia, que mantinha relações “vieiristas” com Lourival, era o embaixador dessa confraternização, que acabou não rendendo grande coisa. Graças a Jorge Murad, marido de Roseana Sarney, que arrola os Bogéa na metade da humanidade que detesta.

Dei-lhe na época meus conselhos inúteis, sobretudo depois de saber que fora rudemente maltratado e depois fotografado no Calhau por um dos convivas habituais (com quem depois fez as pazes). Consegui também impedir que fizesse (por sugestão de Manoel Ribeiro) uma “entrevista exclusiva” com Sarney, que tinha tudo para ser o maior vexame.

Em 2000, quando Jackson Lago e Roseana firmaram a chamada coligação champanhota, o JP disse amém e a nenhum observador atento parecia impossível que apoiasse a reedição dessa aliança em 2002.

Na festa do 50° aniversário do jornal dos Bogéa, em 2001, Roseana foi convidada de honra. Nenhum discurso aludiu à luta contra a “oligarquia Sarney”, tema tão recorrente em períodos anteriores e novamente agora. O Colunão – crítico demais para o tom da festa – foi citado apenas como “um dos suplementos” do JP...

De seresteiro a ‘matador’
Subitamente, o caso Lunus liquidou a candidatura Roseana e as possibilidades de um acordão maranhense semelhante ao que elegeu Cafeteira governador em 1986. Jackson voltou à oposição e com ele o Jornal Pequeno, cujos méritos a Prefeitura de São Luís começou de fato a reconhecer.

Produziu-se então uma extraordinária transformação no diretor-geral do JP. De comedido e bem-humorado, de amante infiel, mas sincero do jornalismo tanto quanto possível verdadeiro (tema sobre o qual tantas vezes conversamos), converteu-se numa espécie de “matador” a serviço de uma campanha, a campanha de Jackson Lago ao governo do Estado em 2002.

Fez de tudo para que eu me engajasse nela. Fiz de tudo para convencê-lo de que não podia perder a alma por causa de uma campanha. Mais de uma vez lhe disse que, nas minhas inúmeras conversas com estudantes de Comunicação, citava sempre o exemplo do episódio Reis Pacheco (1988) quando o JP, embora simpatizando e muito com a administração Cafeteira, e apesar dos pedidos e apelos, não deixou de noticiar com o devido destaque o seqüestro e as torturas infringidas ao ferroviário envolvido no acidente de trânsito em que morrera o sogro do governador.

Lourival reconhecia os exageros, as loucuras, as omissões, as ficções. Prometia que depois da campanha tudo voltaria ao normal. Eu duvidava. A mentira, assim como o dinheiro, vicia mais que a merla.

Macumbeiro eleitoral
O Colunão do dia da eleição não circulou. “Problemas industriais” no JP. Trazia como manchete que Jackson e Zé Reinaldo disputariam o segundo turno, enquanto o JP cantava em verso e prosa a vitória da oposição. Nos últimos dias da campanha, a insanidade conduzira à primeira página do jornal uma série de editoriais psicografados sob assinatura do famoso macumbeiro de Codó Bita do Barão. Isso mesmo: editoriais psicografados. Falsos. Não apenas porque a maioria provavelmente não crê em mensagens literárias do Além, ainda mais naquele estilo tão belicoso, mas também no sentido de que Bita do Barão jamais reconheceu a autoria ou “recepção” daqueles textos.

A tensão permaneceu após o pleito. O JP atacava furiosamente o TRE por haver acolhido a nulidade dos votos de Ricardo Murad (declarada pelo TSE), enquanto o Colunão sustentava que o tribunal maranhense “não tinha outro jeito”. Só depois de 20 editoriais e 300 notícias equivocadas ou fictícias, algumas simplesmente burras, o JP deu razão ao Colunão, ainda assim sem reconhecê-lo diretamente. Antes disso, notinhas e mexericos, inclusive no JP, insinuavam que o Colunão servia aos interesses de Ricardo Murad, que retornara ao regaço da família Sarney.

Detalhe: éramos amigos os três, Lourival, Ricardo e eu. Mas eu nunca tive a intimidade que o primeiro tinha com o segundo. Nunca lhe pedi nenhum favor. Tampouco pude atendê-lo quando Ricardo me ligou solicitando que interferisse junto ao prefeito de Imperatriz para que pagasse uma fatura do JP. Respondi, surpreso, que não tinha a menor influência sobre o cofre de Imperatriz.

Oposicionista combativo, na época, Ricardo mandara a prefeitura de Coroatá anunciar no Colunão. Quando voltou ao sarneísmo, a prefeitura nem cuidou de pedir a suspensão do contrato assinado (com intermediação do JP). Apenas parou de pagar. Um dia liguei para o tesoureiro municipal anistiando o débito de três meses e encerrando o contrato.

Nem por isso participei da violenta campanha que Lourival desencadeou sobre o ex-amigo. Sou implacável com torturadores, assaltantes, exploradores, inimigos da pátria, canalhas de um modo geral, mas nunca execrei ninguém porque mudou de partido ou de curriola, ainda mais quando não é fácil distinguir um grupamento do outro.

Recentemente o governador José Reinaldo declarou que, naquele ocasião (a pós-eleição de 2002), somente eu noticiara corretamente os fatos jurídico-eleitorais. Publiquei a declaração no Colunão sem que ninguém reagisse no JP. É que Zé Reinaldo, o demônio de 2002, virara o santo de 2005. Nem é tão santo, nem nunca foi demônio.

Publicidade condicionada
Passada a eleição, o novo secretário de Imprensa, Udes Cruz, também amigo de Lourival, procurou-me para avisar que o governador eleito, embora integrante do grupo Sarney, resolvera ignorar minhas desavenças “históricas” com o sarneísmo e incluir o Colunão na programação publicitária oficial. Perguntei se essa abertura valia para o JP. Respondeu que não, devido à violência irracional (a expressão é minha, não dele) com que o jornal contestava a eleição do governador. “Mas estou trabalhando para incluir o JP assim que as coisas se acalmarem”.

Disse-lhe então (e Udes está aí para testemunhar) que, apesar da independência editorial e empresarial do Colunão, nossas relações especiais me impediam de aceitar anúncios de um governo que discriminasse o JP, ainda que tivesse boas razões para fazê-lo. De modo que o primeiro anúncio só chegou ao Colunão duas semanas depois dos primeiros e hoje dispendiosos “entendimentos” com o JP.

Maior que o aço e o alumínio
Há muitas divergências entre o JP e o Colunão, mas nem uma delas justificaria ofensas de nenhuma parte. O Colunão combate a instalação de um superpolo siderúrgico na ilha de São Luís, ao passo que o JP, sobre este assunto, praticamente só divulga relises do Governo e da Prefeitura (ou da Cia. Vale do Rio Doce, “indutora” do projeto).

Também não gosta de notícias criticas sobre o consórcio Alumar, ainda que referentes a questões trabalhistas que não questionam a essência do empreendimento transnacional, mas apenas suas pretensões de porta-voz da modernidade e da responsabilidade social (veja abaixo).

Como se viu recentemente, Lourival nem gosta de lembrar que Ribamar Bogéa, fundador e patrono do JP, participou do movimento contra o advento da Alumar nos anos 80. Até nega. Sustenta que o pai limitou-se a “divulgar o movimento”. Fosse verdade, ainda assim o JP atual estaria em desvantagem, já que nada divulga de verdadeiro sobre a oposição ao pólo.

Mas, justiça seja feita, nenhuma pressão valeira ou alumaresca produziria os efeitos das cobranças do ex-prefeito Zé Vieira.

O incrível boato do linque
Desde a reinauguração em setembro, o saite do Colunão oferece linques para, entre outros, o Governo do Estado do Maranhão e a Prefeitura de São Luís, tribunais e câmaras legislativas, publicações de outros estados, e ainda para os jornais O Estado do Maranhão e Jornal Pequeno. Mais recentemente, acrescentou-se O Imparcial e, alguns dias depois, Veja Agora, o mais novo matutino da cidade. Note-se que nenhum deles, nem mesmo o JP, oferece linque para o Colunão.

Os leitores sabem que nossa seção ‘Paralelas’ tem anunciado cada acréscimo no nosso saite, penosamente construído semana após semana. No domingo passado saiu esta nota:

“Pluralismo –– Os quatro principais jornais do Maranhão podem ser acessados diariamente pelo saite do Colunão: Jornal Pequeno, O Imparcial, Veja Agora e O Estado do Maranhão. Este último com conteúdo integral apenas para assinantes (...).

Segundo Lourival, foi isso e nada mais que isso a razão que o moveu a convocar reunião de diretoria, na manhã de segunda-feira (7), na qual se acatou por unanimidade a proposta de encerramento do contrato com o Colunão. A família Bogéa, disse, sentiu-se “ofendida”, interpretando a lincagem e sua respectiva divulgação como “propaganda” e “endosso” aos pesados ataques que Veja Agora tem publicado sobretudo contra o próprio Lourival, culminando ou exacerbando com notinha sobre o “abandono” em que teria morrido o jornalista Ribamar Bogéa, fundador do JP.

Bogéa morreu amparado
Por mais que o leitor considere absurdo, risível ou inacreditável o pretexto alegado pelo JP, vejo-me aqui obrigado a discuti-lo a sério, pois nenhum outro me foi contado. E a repetir o que declarei segunda-feira, em minha casa, ao próprio Lourival Bogéa.

Não pretendi ofender ninguém, nem tenho razões para ofender a família Bogéa. Nunca tive relações tão amistosas com os Bogéa em geral como nos últimos meses, salvo quanto ao próprio Lourival, cuja ansiedade, falta de moderação e outras mutações de comportamento, tão conhecidas dos amigos quanto a mudança de endereço algum tempo atrás, inquietam até seus parentes.

Não havia lido a nota sobre Ribamar Bogéa no Veja Agora. Se a tivesse lido, como acentuei ao próprio Lourival, nem por isso deixaria de pôr o linque. Sei, entretanto, que a nota contém uma falsidade. Bogéa não morreu “abandonado”. Morreu assistido carinhosamente pelos familiares, com os recursos de que na época dispunham. Não endosso, nem jamais endossaria o contrário. Mais: não aprovaria esse tipo de “notícia” nem se verdade fosse.

Aliás, no mesmo domingo em que bolou a história do linque “ofensivo” para atender ao amigo imobiliário de Bacabal, Lourival chamou de “cafajestes” os jornalistas do Sistema Mirante, sem excetuar nenhum. E ainda acentuou: “E não venham amanhã querer me esculhambar no rádio porque vocês são tudo isso e muito mais”. Isso numa coluna, Dr. Peta, em que pretende fazer humor.

A razão da fúria é que o Mirante culpa o Governo pela morte de mais de uma dezena de pessoas atacadas por morcegos hematófagos no interior. A “tese” de Lourival/Peta é que o culpado é o ex-presidente Sarney.

Encerrada a conversa com um convite de Lourival para que eu fosse confraternizar com a família dele no seu aniversário (!), entrei no saite de Veja Agora procurando a nota ofensiva a Ribamar Bogéa. Consultei sem sucesso as edições de sábado e sexta-feira. Pudera. Como depois me disseram, a nota saíra no domingo, simultaneamente com o Colunão...

Ética todos os anos
Mais do que ninguém, o jornalista Lourival está cansado de saber de minha insistente, persistente, inconveniente postura ética.

Sabe quanto vezes manifestei, sobretudo a ele e à irmã, Josilda Bogéa, minhas leais discordâncias. Sabe que nunca aprovei a difamação permanente de conhecido jornalista do Estado do Maranhão, muito menos quando extensiva aos antepassados, como ocorreu faz pouco tempo. Sabe que desaprovo agredir a vida particular dos desafetos e dos indefesos com piadinhas e mexericos sexuais de baixíssimo nível, muitas vezes correndo o risco de provocar graves desentendimentos e tragédias. Sabe que abomino a ocultação do que existe e a notícia do que jamais ocorreu.

Sabe que lhe falei francamente, em cima do lance, do quanto estava errado ao servir de instrumento em 2001 a sórdida campanha de desmoralização pessoal da família Tavares. Chefiada, na época, por um vice-governador sem prestígio e sem recursos, sem muitas perspectivas políticas, e obviamente sem a legião de amigos sinceros que hoje lhe fazem guarda escovando a juba dos leões do Palácio.

É indiscutível, portanto, que, se não “endosso” nem sequer o conteúdo do JP, meu parceiro dos últimos oito anos, muito menos endossaria o de Veja Agora ou de qualquer outro, assim como não peço nem desejo o apoio incondicional e acrítico de ninguém.

De mais a mais, ninguém precisa “provar” que não se sente solidário com esta ou aquela notícia, este ou aquele comentário, oriundo de pena alheia. Cada qual responde só por si. Assim como basta um par de neurônios para entender que a lincagem para quatro diários conterrâneos e concorrentes não desmerece nem recomenda a nenhum.

Banimento do ‘Colunão’
O próprio JP demonstrou de mil maneiras, diretas e indiretas, discretas e ostensivas, que nem sempre estava de acordo com seu “inquilino” Colunão. Nos primeiros anos, dava chamadas e até manchetes principais com matérias exclusivas do semanário. Depois passou a chamar somente as matérias que lhe convinham, mesmo quando claramente não eram as mais importantes. Mais tarde baniu o Colunão da primeira página, recusando-se à publicação de um simples “selo” alusivo ao encarte.

Referências ao meu nome praticamente ficaram restritas a notinhas maldosas e fictícias, algumas como represália disfarçada a matérias que incomodavam Zé Vieira. O repórter Manoel Santos recebeu instruções para omitir meu nome no noticiário corriqueiro de debates e audiências públicas. Tudo na angustiante tentativa de provar a Zé Vieira e outros mais que o JP não “aprovava” o Colunão.

Quem manda é o freguês
Durante mais de ano, mesmo depois de assumir a causa do governo Zé Reinaldo, o JP continuou contando diariamente, com persistência obsessiva, a quantos dias o Tribunal Regional Eleitoral recebera uma representação por abuso de poder econômico, movida pelo PDT e outros, contra o governador eleito em 2002. Fê-lo para respeitar contrato anteriormente firmado com anunciante não identificado. Cessou de fazê-lo quando o próprio anunciante o determinou.

Ora, se isso lhe parece razoável, se publica um anúncio anônimo pedindo a cassação do mandato do governador que defende com 10 unhas e 60 mil dentes, por que vem agora inventar que um linque equivale a um “endosso”? Só um tolo engoliria semelhante patranha. Ou um parente desinformado do que e do quanto ocorre ao seu redor.

Sugiro que o leitor dê uma olhada na seção ‘Ponto de Interrogação’, abaixo. Verá que o Colunão continua indagando ao TRE sobre a demora no julgamento. Mas não apenas do processo de Zé Reinaldo, senão também do processo de Roseana Sarney e Edison Lobão, igualmente acusados na Justiça de abuso na eleição de 2002. Ninguém mandou botar. Ninguém manda tirar.

BUSCA:

Página Anterior | Recomendar | Imprimir | Topo

Jornal do Povo do Maranhão - Jornal Veja Agora
Copyright 2005 - 2006 Jornal Veja Agora. Todos os direitos reservados
Rua Jorge Damous, nº 257, Caratatiua - São Luís - MA
Tel: (98) 3253-6696 Geral - 3253-6605 Comercial e Assinaturas
redacao@jornalvejaagora.com.br