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Dutra não secompara a Zé Dirceu



Data de Publicação: 16 de novembro de 2005
 
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Um novo petismo surgiu nos últimos meses no Brasil. Para um partido que hasteava a bandeira da moralidade, da defesa da dignidade e do combate à corrupção, o Partido dos Trabalhadores virou um covil de ladrões, fraudadores e corruptos. Nem o Maranhão ficou livre da enorme macha negra que cobriu a agremiação do presidente Lula. Na época, o deputado Domingos Dutra denunciou que o Diretório Estadual havia recebido uma mala com R$ 217 mil reais para pagamento de despesas de campanha. O dinheiro, disse Dutra, faria parte do esquema de Delúbio Soares e Silvinho Pereira.

De lá para cá tudo mudou. Dutra deixou de ser oposição dentro do partido e passou a ser o manda-chuva do partido, que ele dizia ser uma quadrilha, no Maranhão. Como convém ao PT e a uma parte dos petistas, Dutra silenciou e nunca mais quis saber o que foi feito com a mala de verdinhas que, segundo ele próprio afirmou seguidas vezes - havia sido enviada para Washington Luiz, o ex-presidente.

Agora, como lhe convém, ele esquece o menino pobre de Saco das Almas e se alia às elites governistas para satisfazer sua própria sede de poder. Dutra, numa demonstração que tudo que pregou era apenas falácia de um político oportunista que já foi humilhado publicamente por Jackson Lago, agora se aninha nos braços do pedetismo cujo maior chefe é exatamente o ex-prefeito.

O presidente do PT fez uma grande festa para tomar posse na direção do Partido dos Trabalhadores. E seus convidados especiais foram exatamente aqueles a quem sempre combateu. José Reinaldo, João Castelo, Conceição Andrade, Jackson Lago e Tadeu Palácio. De João Castelo dizia cobras e lagartos, muitos impublicáveis. Em relação à Conceição Andrade assumiu o discurso de Jackson e a acusava de carregar consigo o vírus da traição. Do próprio Jackson, Dutra inundou a cidade com panfletos onde o retratava como um canalha e traidor por ter ido buscar apoio de Roseana para vencer a eleição municipal de 2000. De Tadeu, o mínimo que dizia era que o prefeito era um burguês cria de Jackson.

Mas a outra grande mudança de discurso de Dutra se deu em relação ao seu novo líder José Reinaldo. Antes, duro e belicoso, Dutra bradava aos quatro ventos que o governador era apenas um “títere” do grupo Sarney. Foram dezenas de discursos virulentos, carregados de veneno em que o presidente do PT no Maranhão acusava José Reinaldo de comandar uma máfia no Governo. O escândalo das estradas fantasmas, a roubalheira do caso da Camargo Correa e outros escândalos nos quais o governador se envolveu foram amplificados em discursos de Dutra na Assembléia.

No sábado, a base petista saiu enojada com o beija-mão de Dutra em relação ao governador, durante o ato de posse. Uma vez mais os militantes do PT se viram traídos. Todo o discurso de uma geração inteira foi jogado na vala comum dos petistas e reinaldistas. Os mais jovens que acreditaram na utopia de uma política partidária séria e honesta, viram que Dutra tem mais que a simples fome de poder. Ele tem, acima de tudo, a ambição de se perpetuar nele.

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