Carta de Lourival Bogéa ao jornalista Walter Rodrigues
“Aos amigos, os favores do jornalismo; aos inimigos, os rigores do jornalismo”. Mas, “notícia é notícia”.
Os adversários de Zé Vieira (leia-se João Alberto, Jura Filho & cia.) passaram a semana inteira ‘panfletando’ em Bacabal o que o Colunão publicou ontem.
O juiz Raimundo Sampaio, encarregado de cumprir o Precatório da Justiça Federal, até ontem (domingo) não havia citado Zé Vieira ou Lisboa. O meu amigo se queixa do tratamento dispensado a ele “pelo Jornal Pequeno”. Tento, em vão, fazê-lo entender a relação Jornal Pequeno/Colunão, que acho correta e democrática. Mas ele, como eu, não assimila a precocidade do ‘furo’ (paradoxo oportuno), no momento em que este atinge um amigo que só sabe que está sendo denunciado por causa dos panfletos - agora reforçados pela credibilidade do Colunão - que os adversários espalham na cidade.
Procuro inverter os papéis e me colocar como editor do Colunão e meu amigo como editor do JP. Alguém me passou um ‘furo’ e eu preciso divulgar no Colunão, porque, como disse, reservada e equivocadamente, aquele líder de entidade, “o Jornal Pequeno não publica nada contra Zé Vieira”. Mas Zé Vieira é amigo do meu amigo. Nada a ver: “notícia é notícia”. Correto. O Ministério Público representou contra um prefeito e seu vice. O “rigor do jornalismo” me obrigaria a publicar, claro. Mas os “favores” me levariam a aguardar, se não a defesa do amigo do meu amigo, pelo menos a citação oficial. Não faria muita diferença, talvez (o aguardo da citação), mas, acredito, confortar-me-ia e me livraria de qualquer insinuação ou suspeita, menos lúcida e injusta, claro, de estar a serviço dos adversários do amigo do meu amigo.
Quanto ao comentário do líder de entidade, o JP publica, sim, coisa contra o Zé Vieira; não com os ‘rigores’, mas com os ‘favores’ do jornalismo, que, nesse caso, antes da “bomba detonadora”, sugerem “cautela considerativa”.
Desculpa algum eventual ‘tropeço’, mas é que essas coisas me ‘tocam’.
Grande abraço, do amigo Lourival Bogéa
Resposta do jornalista Walter Rodrigues
Caro Lourival,
Parece claro que a tua amizade com o Zé Vieira, assunto privado, deturpa tua compreensão dos assuntos públicos. Nada do que dizes justifica a menor reclamação.
1) Não moro em Bacabal, não me dou pessoalmente com nenhum dos líderes locais, nada sei sobre os planfletos, nem recebi nenhum. Se tivesse recebido, teria checado no MP e divulgado a informação.
2) A coleção do Colunão (e do JP) está cheia de notícias sobre denúncias do MP. Não me consta que alguma vez tenhamos procurado saber se o denunciado já recebera a visita do oficial de justiça. Hoje mesmo, ao divulgar que o MP opinou pela rejeição da queixa do Mauro Bezerra, não me ocorreu indagar se ele já sabe, muito menos aguardar por isso.
4) Certa vez publiquei até que três candidatos e uma coligação seriam impugnados (olha a cópia adiante), como de fato ocorreu, e ninguém reclamou. Depois, num “Plantão”, noticiei com exclusividade, em cima do lance, a ação do MP contra o coronel Nogueira do Lago e contra Ricardo Murad e Jura Filho. Por que só as ações contra o ZV precisam esperar que ele seja oficialmente comunicado para virar notícia? E que diferença faz?
5) Não me surpreende que o Zé Vieira seja ignorante em matéria de jornalismo e temas associados. Surpreende-me que ele se faça de desentendido mesmo quando tu lhe explicas. No fundo (um fundo bem raso, na verdade), o que ele quer é que ninguém noticie a representação do MP. Prova disso é que, sabendo do fato há pelo menos uma semana (segundo informas), tendo todas as condições de confirmá-lo , e ainda a facilidade de declarar-se inocente ou vítima de perseguição pelas páginas do JP, ou onde mais lhe aprouvesse, preferiu ficar calado. Ia me esquecendo: tu tens certeza de que o Raimundo Sampaio não mostrou a ele uma cópia do precatório?
6) “Precocidade do furo” é um paradoxo -- tu mesmo o reconheces -- ou então não significa nada. Publiquei a notícia porque era verdadeira e interessante, só isso.
8) Lamento que meu amigo Lourival “compre” a tal ponto as brigas do Zé Vieira, passando a achar que toda crítica ao prefeito -- seja da Fetaema, seja do Ministério Público -- resulta de uma trama dos seus inimigos bacabalenses. Por acaso tu não reconheces aí a esperteza do Paulo Marinho, que sempre bota a culpa de suas dificuldades no Washington Torres ou no Humberto Coutinho?
8) Depois de 25 anos de jornalismo no Maranhão, exposto toda semana no Colunão desde 1997, quem achar que eu possa estar “a serviço” de alguém, esse é capaz de acreditar em qualquer canalhice que o demônio lhe sopre nos ouvidos. De modo que não há nada que eu possa fazer a respeito, salvo aguardar o dia em que o difamador se reunirá a seu Mestre no inferno.
9) Acredito, porque meus olhos não me enganam, na tua extrema amizade pelo ZV. Não acredito na dele por ti -- é meu direito. Se ele fosse teu amigo, não ia querer te constranger com essa conversa de que noticiar que o MP o acusa de improbidade, sendo o fato absolutamente verdadeiro, é um ato de lesa-amizade entre nós dois.
10) É evidente que o ZV pode manifestar-se pelo Colunão, acusando o João Alberto, o Jura, o promotor ou quem mais ele quiser -- inclusive a mim..
11) Entendo essa história de “rigores” e “favores” mais como brincadeira. Não é isso que temos concordado tantas vezes.
12) Quanto ao comentário do pessoal da Fetaema, pensa bem: empregados ou capangas do prefeito Paulo Marinho, de Caxias, sem oficial de justiça e sem mandado judicial, acompanhados de policiais enviados pelo coronel Nogueira do Lago, ajudaram a expulsar posseiros que eles chamam de invasores. Nogueira mandou de São Luís um carro de combate especial da PM. Após a morte de dois posseiros, a dona das terras disse em depoimento que pediu ao prefeito para interceder junto ao juiz da cidade -- notório corrupto --, o qual expediu a liminar em 24 h. Disse tb. que usou uma lancha emprestada pelo prefeito (o prefeito alega que emprestou ao coronel Nogueira, embora a pedido dela). Alguma dúvida sobre o envolvimento do Marinho? Pois bem, troca Caxias por Bacabal, Marinho por ZV, Nogueira por Cutrim, carro de combate por helicóptero, e tens a história da fazenda Comboio, em Bacabal. Não era o caso de ter publicado, embora acompanhado das explicações do ZV, como eu fiz?
13) Quem bem avisa amigo é: ZV ainda vai te dar muitas dores de cabeça, porque tu não fazes a menor idéia de quem se trata.
Com um abraço sincero do Walter