Segundo o balanço da noite de segunda divulgado nesta terça pela Polícia, houve 215 veículos queimados, contra 284 da véspera, o que eleva o total para 8.810 desde o início da crise no último dia 27.
Trata-se de “uma volta a uma situação quase normal”, disse a Polícia, e destacou que só em sete municípios, entre eles Paris e Lille (norte), houve mais de cinco veículos incendiados.
O nível de mobilização das forças da ordem continua “elevado”, com 11.200 policiais deslocados, especificou a Polícia, que apontou que houve 71 detenções ontem à noite, o que eleva o total a 2.838 desde o começo da onda de distúrbios.
Enquanto isso, com vistar ao debate parlamentar que começa nesta tarde sobre a prorrogação durante três meses do estado de emergência, o chefe do grupo socialista na Câmara dos Deputados, Jean-Marc Ayrault, anunciou que proporá hoje aos representantes de sua formação que votem contra.
“Não é o estado de emergência que vai resolver o problema (...) Não há necessidade de uma medida de exceção” nem dar “os plenos poderes ao Governo”, disse Ayrault na rede France 2.
Os comunistas, por sua parte, denunciaram que o Executivo conservador “persiste em sua obsessão” de utilizar “esta lei de exceção cheia de perigos para a democracia”, “violenta e inútil”, e afirmaram que “a emergência é antes de tudo social”.
Os legisladores comunistas explicaram que boicotaram a reunião convocada nesta tarde pelo primeiro-ministro com os líderes das duas câmaras do Parlamento e dos grupos parlamentares para tratar de convencer aos reticentes.
Os Verdes expressaram igualmente sua rejeição à prorrogação: “a França não precisa deste estado de emergência que faz crer em uma guerra civil que não existe”.
Por sua parte, a extrema esquerdista Liga Comunista Revolucionária, que não está representada no Parlamento, denunciou a opção de “repressão” por parte do Governo e considerou “urgente” que seja formada “uma frente” de organizações de esquerda para convocar manifestações contra a medida.
O Governo recuperou na semana passada a lei de emergência de 1955, adotada na guerra da Argélia, e que desde esse conflito só se tinha utilizada uma vez, em 1985, na distante Nova Caledônia.
Essa lei limita a 12 dias a vigência do estado de emergência implantado por decreto. Depois desse prazo é necessária a aprovação do Parlamento.
O presidente francês, Jacques Chirac, que mencionou superficialmente a prorrogação na noite de segunda-feira em sua primeira alocução rádio-televisada sobre os distúrbios desde o começo da crise, tinha apontado ao Conselho de ministros que é “necessária para dar às forças da ordem todos os meios” necessários para restabelecer “definitivamente” a calma.