Dando mais uma amostra de sua voracidade por terras e por poder econômico, com o único intuito de consolidar a sua permanência no poder da FETAEMA (Federação dos Trabalhadores na Agricultura do Estado do Maranhão) e garantir mais uma ponta de apoio ao governador José Reinaldo Tavares - seu grande aliado na destruição dos camponeses maranhenses - o presidente da entidade, Domingos Paz, tem cometido atos de verdadeiro terrorismo contra pequenos agricultores da cidade de Fortuna (420 km de São Luís).
A denúncia é da Comissão de Pequenos Agricultores de Fortuna, formada por Cândido Alves de Oliveira, Roberto Barbosa de Sousa e Valmor Pereira Coelho, em manifesto intitulado “Fortuna Chora - INCRA promove reforma às avessas”.
De acordo com os três agricultores, utilizando-se de coação psicológica e ameaças mesmo à integridade física dos trabalhadores rurais e até mesmo do presidente do INCRA (Instituto de Colonização e Reforma Agrária) no Maranhão, Raimundo Monteiro, Domingos Paz tenta remover de suas terras 110 pequenos agricultores e suas famílias. A intenção é doá-las aos Sem-Terra, para que se instalem e tomem conta da área, adquirida pelo INCRA.
O problema surgiu principalmente devido a uma falha do órgão federal, que não se preocupou em regularizar as posses e não completou o processo de aquisição das terras pelos agricultores e foi agravada pela desumanidade e pelos interesses políticos de Domingos Paz.
Mas o que deixa os trabalhadores ainda mais indignados é o fato de que a área total desapropriada pelo órgão é de 21.476 hectares e “essas posses que envolvem 110 pequenos agricultores somam uma área de apenas 5.130 hectares e pertencem praticamente aos primeiros moradores do município de Fortuna”, diz o manifesto.
Em tese, então, Domingos Paz teria 16.303 hectares para fazer sua politicagem e o seu acerto de contas com o MST (Movimento dos Sem-Terra). Mas não está satisfeito. Quer toda a área, não se importando com o que vão fazer os pequenos agricultores para sobreviver caso saiam de suas terras e percam seu único meio de sobrevivência, pois são, a maioria, semi-analfabetos.
A Comissão conclui o manifesto ressaltando o seu apoio à reforma agrária de direito e pedindo providências para que Domingos Paz não cometa mais um crime em nome, única e exclusivamente, dos interesses financeiros e políticos. “Concretamente, todos nós somos a favor da Reforma Agrária, conduzida de modo harmônico, pacífico e responsável”, ressalta o texto do manifesto. “Porém, o que não podemos concordar é com atitudes como essa, de tomar terras de pequenos agricultores, que a têm exclusivamente para extrair dali o seu sustento”, conclui.
A Comissão já entrou com ação na Justiça “para barrar essa reforma esdrúxula às avessas promovida pelo INCRA no Estado do Maranhão”.