Atrapalhado
Em discurso da tribuna da Assembléia Legislativa, o deputado estadual Domingos Dutra (PT) deu, mais uma vez, mostras de como não está preparado para ser um deputado governista. Não sabendo ainda se posicionar sem se atrapalhar, o parlamentar ainda deixa escapar, em público, algumas declarações contra o seu novo líder político.
Ontem, quando se pronunciava a respeito de problemas no programa “Luz Para Todos”, do governo federal, o deputado criticou, duramente José Reinaldo, afirmando que existe desvalorização, por parte do governo do estado, de programas com recursos oriundos do governo federal. “O governador José Reinaldo reclama que não tem recursos para suprir as demandas, no entanto, não valoriza os programas federais implantados aqui”, reclamou Dutra.
Segundo ele, desde o início do programa, o governador só investiu 10 por cento do que já deveria ter sido empregado. Como resultado, o Maranhão é um dos estados que apresenta maior déficit em relação à meta proposta pelo Ministério das Minas e Energia. “Em 2004, deveríamos ter feito 8.250 ligações e, em 2005, 44.500”, disse o deputado. “Até hoje só foram feitas 7.250. Ou seja, não conseguimos bater, em dois anos, nem a meta de 2004”, completou.
Uso político
Dutra ainda tentou reparar o dano, acusando o grupo de oposição de fazer uso político do programa no que foi seguido por Luís Pedro (PDT), mas foi rapidamente retaliado. Manoel Ribeiro (PTB) disse que, nesse caso, não se pode falar em uso político. “Isso é balela de Luiz Pedro”, afirmou. “Eu sou do grupo Sarney e também estou sendo prejudicado. O que há é inoperância do governo do estado”, concluiu.
O deputado César Pires (PFL) também retaliou a tentativa de Dutra consertar a gafe. “Eu fico espantado de ouvir Dutra falar dos problemas do programa como se fossem políticos”, declarou. Segundo César Pires, quem faz uso político de programas do governo federal é o governador José Reinaldo.
Como exemplo, citou o programa federal de moradia, que está sendo usado pelos aliados de José Reinaldo no interior para garantir apoio nas eleições do ano que vem. “O que nós vemos é a liberação de emendas apenas para os aliados, que financiam as obras de moradia com fins eleitoreiros”, denunciou, citando o caso de Entroncamento (100 km de São Luís).
César Pires atribui, ainda, o comportamento de Domingos Dutra a um conflito ideológico, devido a sua mudança radical de seguimento político. “Dutra mudou de posição política da noite para o dia, não quis pagar o ônus da sua escolha”, finalizou.