Desobediência
Os empregados do setor rodoviário de São Luís resolveram descumprir a determinação do Tribunal Regional do Trabalho que obrigava a categoria a garantir a circulação de 50% da frota de ônibus. sob pena de sofrerem as penalidades previstas para o caso do descumprimento da lei. Em reunião com a presidente do TRT, desembargadora Kátia Arruda, ao meio-dia de ontem, representantes do sindicato de rodoviários haviam se comprometido a cumprir a determinação até as 18 horas. Mas não foi o que aconteceu.
Segundo o diretor jurídico do sindicato, José Gonzaga Nunes, o sindicato estava disposto a obedecer a determinação da justiça. “Nós nos reunimos com os trabalhadores, mas eles resolveram não cumprir a decisão. Estamos levando porrada de graça, pela irresponsabilidade dos empresários, que querem nos colocar no meio dessa guerra com a prefeitura”, acusa.
Por não ter garantido a determinação da justiça, o sindicato dos rodoviários foi multado ontem em 30 mil reais. Hoje, a multa é de 50 mil, mesmo valor para os dias em que durar a desobediência à lei. Para discutir a greve, representantes dos empregados, empregadores, prefeitura e ministério público se reúnem hoje pela manhã, às 10 horas, na sala da presidente do TRT.
De acordo com a desembargadora Kátia Arruda, a multa a ser paga pela categoria dos empregados rodoviários seria de 15 mil reais, mas a pedido da prefeitura o valor foi duplicado. “O município pediu para a multa ser majorada porque entende que com isso obriga os rodoviários a cumprirem a decisão judicial”.
Controvérsias
No período da manhã, enquanto o vice-presidente do sindicato dos rodoviários alegava que a decisão de paralisar totalmente a frota foi da categoria e que “a diretoria do sindicato resolveu acompanhar”, nas portas das garagens dirigentes sindicais garantiam a não circulação da frota.
Segundo Alessandro Silva Costa, diretor do sindicato da categoria, em cada garagem havia “representantes da entidade para impedir que os ônibus saíssem. Teve alguns motoristas que quiseram sair, mas nós conversamos com eles sobre a situação e eles desistiram. Para não ter coisa mais drástica”, completa.
Enquanto isso, o secretário de transportes Canindé Barros acredita que o movimento grevista decorre de um conluio entre empresários e o sindicato dos rodoviários para forçar um aumento no preço das passagens, o que motivou a indignação dos sindicalistas. “O secretário está trilhando por um caminho altamente perigoso, que é o da radicalização. Essa tese não se sustenta. O fato é que os trabalhadores resolveram parar porque estão passando fome. Queremos nossos direitos”, declarou o assessor de comunicação do sindicato.