Cerca de 90% das atividades em sala de aula paralisadas, vestibular ameaçado de ser adiado e negociações sem acordo. Esse é o retrato do movimento de greve dos professores da Universidade Federal do Maranhão (Ufma) que hoje completa 78 dias.
Ontem, o comando de greve da Apruma recebeu uma cópia do projeto de lei (PL) que o Governo Federal encaminha ao Congresso Nacional para aprovação na sexta-feira. Na proposta, o Ministério da Educação afirma que irá investir R$ 500 milhões no aumento salarial dos docentes das universidades públicas federais.
“O reajuste que isso representa está longe dos 18% que estamos pedindo. O aumento salarial será, em média, de 7,5%. Além disso, esse projeto não contempla os professores aposentados e nem os que estão em colégios públicos federais dos ensinos fundamental e médio, caso do Colégio Universitário (Colun) que tem em seu quadro professores universitários”, explica o vice-presidente da Apruma, Webson Machado.
Outro ponto que desagrada os professores é que o aumento, se aprovado, só será dado em janeiro de 2006. A proposta do Governo Federal estará na pauta da assembléia geral que a Apruma realiza na segunda-feira, dia 21. “Vamos denunciar os erros dessa proposta”, afirma Webson.
Hoje, o comando de greve da Apruma deve se reunir com professores, alunos e pais de alunos do Colun para articular uma mobilização. “Queremos construir um grande ato. Ele provavelmente acontecerá no Centro da cidade nos próximos dias”, avisa o professor.
Sobre a realização do vestibular, Webson Machado diz que assim como a reitoria da Ufma, a Apruma está aguardando o desfecho da ação do Ministério Público Federal, acionado pelos estudantes secundaristas, contra a proposta de adiamento do calendário do processo seletivo.