Ao contrário da expectativa dos petistas, o relator da CPI do Mensalão, deputado Ibrahim Abi-Ackel (PP-MG) afirmou em seu relatório final que houve distribuição de recursos ilegais a parlamentares.
“Houve recebimento de vantagens indevidas por parlamentares e dirigentes partidários com periodicidade variável, mas constante em 2002 e em 2003. Chame-se a isso mensalão quem quiser, chame-se a isso quinzenão quem quiser, chame-se a isso semanão quem quiser”, afirmou o deputado no relatório.
O deputado também afirmou que as investigações não levantaram elementos suficientes para comprovar que houve compra de votos no governo Fernando Henrique Cardoso
Quando o relator iniciou a leitura, a comissão estava formalmente arquivada e portanto o ato não tinha validade. Durante a apresentação do documento, líderes do governo e da oposição na Câmara e no Senado fecharam um acordo diante do presidente do Congresso, Renan Calheiros (PMDB-AL), para prorrogar os trabalhos da CPI.
Depois de horas de negociações, Abi-Ackel finalmente conseguiu realizar a leitura de seu relatório.
A base do governo queria a leitura porque pode beneficiar o ex-ministro José Dirceu, apontado como o chefe do esquema do “mensalão”. Já os oposicionistas não queriam que a CPI desse um indulto a Dirceu.
O congressista ratificou também as declarações feitas anteontem de que não foi comprovada a tese do “mensalão” - repasses de recursos mensais a integrantes do Congresso. Ele também voltou a dizer que não deverá pedir o indiciamento de nenhum dos envolvidos no esquema do “mensalão”.
Abi-Ackel demonstrou irritação com a possibilidade de o relatório deixar de ser apreciado. “É como se a investigação não tivesse existido. Vira tudo pizza”, disse o deputado.