José Reinaldo Tavares obteve uma vitória na Assembléia Legislativa que foi motivo de muita festa. A transferência da administração do Convento das Mercês, da Fundação José Sarney para o Governo do Estado, entretanto, ainda está longe de acontecer. Como ainda não é líquido e certo que isso ocorra algum dia, recomenda-se cautela aos seus aliados, para que não passem, outra vez, a vergonha de ver suas sandices derrubadas na Justiça, a exemplo do que aconteceu no caso da extinção do gabinete do vice-governador Jura Filho.
Os aliados de José Reinaldo comemoraram. Surpreendentemente, o mais comedido foi o próprio governador, que chamado às falas pelo Ministro da Justiça, procurou minimizar o episódio, garantindo ao ministro que a Fundação José Sarney será preservada. Como ninguém pode se fiar na palavra do governador, o ex-presidente José Sarney vai tentar reaver o convento na Justiça.
O Jornal Pequeno, que segundo Walter Rodrigues recebe R$ 60 mil (ele disse “dentes”) por mês para defender o governador, estampou manchete comemorando o resultado, mas sem o mesmo entusiasmo de antes. Fala-se de uma insatisfação da “famiglia Bogéa” em relação ao$ mimo$ que a concorrência vem recebendo do governador. O JP, que sempre esteve à frente da campanha de bajulação do governador, vem perdendo terreno para O Imparcial, que carrega nas tintas na hora de agradar o patrão.
O jornal está sob intervenção do Governo, que ali mantém Marcos Nogueira monitorando todas as notícias e dando a amplitude e repercussão às matérias que o governador deseja. Marcos Nogueira é assessor de Alexandra Tavares, mulher de José Reinaldo, e cuja fidelidade canina é inquestionável. Para manter esse quadro, o matutino dos Diários Associados está exigindo o mesmo tratamento dispensado ao Jornal Pequeno.
Em estado pré-falimentar, o jornal O Imparcial chegou a ser colocado a venda, o que só não se efetivou devido a ações judiciais de herdeiros do espólio. Dava-se como certa nos meios jornalísticos e empresariais a quebra do jornal no final de 2002.
O jornal, que sempre elogiou o governo da senadora Roseana, num lance de desespero, estampou um dia antes da eleição de José Reinaldo, fotos da apreensão de R$ 400 mil que supostamente seriam empregados para pagamento de eleitores na região tocantina. Acusava o governador de ser o responsável por corrupção eleitoral e pedia sua cassação imediata. De olho nas pesquisas, apostava numa virada de última hora e jogou suas fichas na eleição de Jackson Lago. José Reinaldo venceu e baixou na redação de O Imparcial um clima de velório. Todos - sem exceção - apostavam no pior.
Veio a traição de José Reinaldo e o jornal deu nova guinada. Mudou de lado e passou a apoiar o governador, fazendo o impossível para mostrar o seu grau de subserviência. Na edição de ontem, essa subserviência atingiu seu ponto mais alto, graças, como já se disse, ao dinheiro do Governo e ao desejo de se equiparar ao Jornal Pequeno, que já adiantou que não aceita o mesmo tratamento. Lourival alega que o “O Imparcial não vende nada”. O caso é tratado com certa discrição nos meios, mas é certo que vem briga por aí.