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Revanchismo de José Reinaldo écondenado por políticos e intelectuais



Data de Publicação: 19 de novembro de 2005
 
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Repúdio de todo o país

Preocupado com a repercussão que sua manobra mesquinha causou em todo o país e, principalmente entre os maranhenses, o governador José Reinaldo mudou o discurso radical de que iria acabar com a Fundação José Sarney e já admitiu em matéria publicada no site do Governo do Estado que vai manter a Fundação José Sarney funcionando no Convento das Mercês e que vai, também, manter todos os programas desenvolvidos pela fundação.

A nova estratégia do governador para reduzir o impacto de seu ato covarde e rancoroso no seio da sociedade maranhense, onde tem o mais baixo nível de aceitação dentre todos os governantes dos últimos 50 anos, começou antes mesmo da aprovação do projeto. Durante a reunião que manteve com os 26 deputados de sua base aliada na quarta-feira, onde lhes exigiu que fosse colocado em votação o projeto para desviar o foco do noticiário sobre o escândalo da Camargo Correa, José Reinaldo ouviu dos parlamentares que a repercussão do fechamento da Fundação José Sarney poderia causar danos irreparáveis à imagem já desgastada do próprio governador e de todos os deputados que votaram pela aprovação do projeto.

O governador teria tentado argumentar que o fechamento era uma questão pessoal e que não voltaria atrás, mas foi demovido por alguns deputados mais experientes que temiam que o simples fechamento do convento pudesse trazer complicações na eleição do ano que vem.

Solidariedade
O ex-presidente José Sarney, cujo acervo de obras raras doadas à fundação que leva o seu nome se acha ameaçado pelo governador José Reinaldo, recebeu solidariedade de diversos seguimentos da sociedade brasileira, que repudiam o ato covarde e mesquinho de José Reinaldo. Ainda na quinta-feira, ao denunciar no Senado a manobra rasteira de José Reinaldo, Sarney foi aparteado pelos senadores Valmir Amaral (PTB-DF), Mão Santa (PMD-PI), Alberto Silva (PMDB-PI), José Maranhão (PMDB-PB), Papaleo Moraes (PSDB-AP) e Eduardo Azeredo (PSDB-MG). Este último foi taxativo ao afirmar que a atitude do governador consistia apenas num ato mesquinho de perseguição política.

Durante todo o dia de ontem Sarney recebeu o apoio de políticos, intelectuais e empresários. Abaixo, algumas dessas manifestações de apreço ao senador maranhense e condenando o gesto covarde do governador.


Meu prezado José Sarney,

Lamento, do fundo mais profundo do meu coração, o ato de truculência política e administrativa de que foi vítima o seu acervo pessoal guardado no Convento das Mercês. A decisão intempestiva do Governador do Maranhão fere cada um de seus confrades, agride a cultura e o patrimônio deste país, e ultraja o próprio país no que toca à memória nacional e à herança documental e literária de um dos maiores homens públicos que até hoje o serviram.

Receba a estima, a solidariedade e a admiração intelectual do seu
Ivan Junqueira
Presidente da ABL


Excelentíssimo Senhor
Acadêmico José Sarney

Indignado com a violência e a brutalidade com que foi tratado o documentário da Presidência Sarney, patrimônio de cultura brasileira, apresento ao prezado amigo, em meu nome e no de Laura, que me autoriza falar também em nome do saudoso Austregésilo de Athayde, nossos votos de protesto contra atos de mesquinharia partidária que atingem não o estadista Sarney, mas o conceito de civilização e de preservação das fontes de história brasileira. Com nossa solidariedade e cumprimentos, extensivos a D. Marly,

Cícero e Laura Sandroni
Acadêmico da ABL


Caro Presidente,

Receba o meu abraço de solidariedade em virtude da mesquinha atitude, adotada no Maranhão, no que diz respeito à Fundação José Sarney.

A vida está repleta de atos menores como este. As pessoas que os perpetram, no entanto, são logo esquecidas.

Por outro lado, Presidente, seu nome já está marcado indelevelmente, de maneira altamente positiva, em nossa história.

Com respeito e consideração,

Carlos de Cerqueira Zarur
Ex-presidente da Radiobrás

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