O clima brasileiro - que, na maior parte do território, é tropical - fornece uma “barreira natural” contra a entrada da gripe aviária no país, na opinião do virologista Edison Luiz Durigon, 49, professor titular do Instituto de Ciências Biomédicas da USP (Universidade de São Paulo). “O Brasil tem um ambiente desfavorável para que esse tipo de vírus chegue aqui”, afirmou o especialista.
Entretanto, essa barreira natural só deve funcionar enquanto a doença estiver sendo transmitida por aves migratórias, como ocorre atualmente em vários países da Europa, onde há focos da doença. “O Brasil corre risco zero no que tange à disseminação da doença por aves migratórias”, diz Durigon.
O especialista explica que além do clima mais quente - que dificulta a expansão da infecção, que encontra um ambiente ideal em zonas do globo secas, temperadas e frias — a floresta amazônica também funciona como uma espécie de proteção natural.
“Em uma floresta úmida, tropical, há muitos predadores, e os animais mortos são consumidos rapidamente. Além disso, as aves silvestres que transmitem a doença precisam de condições climáticas favoráveis, como lagos de água mais fria, o que não temos aqui”, diz o virologista, acrescentando que hoje o Brasil é considerado um país livre da gripe aviária.
Na opinião dele existem outros vírus que causam a gripe em aves, que ocorreram por exemplo no Chile e na Colômbia, mas nunca chegaram ao Brasil.
Mutação
Apesar da barreira natural oferecida pelo clima brasileiro, esse “escudo” não vai funcionar caso o vírus sofra uma mutação e passe a ser transmitido de humanos para humanos, ou se animais doentes forem trazidos ao país, afirma o especialista.