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O desgovernode um governado



Data de Publicação: 2 de novembro de 2005
 
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Quem dedicar dez rápidos minutos para uma análise superficial do caos administrativo que se instalou nos últimos meses no Maranhão, vai ficar estupefato com o grau de insensatez e a obstinação com que o governador José Reinaldo, tutelado pela mulher Alexandra Tavares e por alguns aliados, se atirou nessa sua empreitada insólita de destruir o Maranhão.

Basta folhear o Diário Oficial, ver os programas jornalísticos da TV local ou ler jornais de São Luís - mesmo aqueles subvencionados pelo governador - para saber que o Maranhão atravessa a pior crise de falta de governo de toda sua história. É farto e salta aos olhos o número de problemas que o Maranhão vem acumulando nos últimos três anos.

Pau mandado confesso da mulher, José Reinaldo abandonou o dia-a-dia da administração estadual para se dedicar, no crepúsculo de sua tíbia carreira política, a um projeto de vingança pessoal contra a senadora Roseana.

Para atingir seu objetivo, o governador governado tudo faz. Descumpre a lei; usa e abusa das odientas e sórdidas demissões e transferência de servidores por motivação política; cria clima de perseguição nas repartições públicas, e o que é mais grave, arromba o cofre do erário para beneficiar aliados. Firma convênios suspeitos com prefeituras comandadas por deputados aliados, transfere recursos que poderiam ser destinados para hospitais de referência, como o Hospital Universitário Presidente Dutra e o Hospital Aldenora Belo, da Fundação Antonio Dino, para espeluncas espalhadas na capital e no interior do Estado apenas para comprar o apoio de alguns deputados.

Enquanto isso, o Maranhão fica abandonado à sua própria sorte. O dinheiro destinado à saúde perde-se no gargalo largo da corrupção. O órgão destinado a prover o Estado de políticas públicas de saúde é dirigido por uma pessoa que é mulher de um suplente de deputado que, em troca do mandato do marido, comete todo tipo de ilícitos que o governo determina.

Num estado onde 24 pessoas já morreram - e, infelizmente, muitos mais morrerão - sem que o governo fizesse um único gesto para conter as agressões provocadas por morcegos hematófagos, numa das regiões mais pobres do estado, é desalentador ver que se joga tanto dinheiro fora nas mãos de políticos desonestos.

Os servidores estaduais, a par de não receberem um único reajuste salarial nos últimos 4 anos, ainda são vítimas dessa política de terra arrasada do governador governado. Para desespero da categoria - e mesmo a despeito de anunciados e seguidos excessos de arrecadação de impostos - o governador persegue os servidores impondo-lhes uma redução aviltante do salário, pagando aos mesmos um piso inferior ao que determina a Constituição Federal.

Felizmente, corre célere o momento do ocaso da atual administração. Pouco mais de um ano separam o Maranhão de uma nova realidade administrativa. A lamentar, o fato de que, ainda que corra rápido, o prazo para a aposentadoria definitiva desse governo corrupto, ainda se passarão mais de doze meses com o Maranhão entregue a um governante que preferiu a submissão ao ódio da mulher a fazer as transformações que o estado esperava dele.

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