Mais um posto de saúde mantido pela prefeitura é encontrado em situação precária de atendimento: o Centro de Saúde Vila Nova que apesar da administração e alguns funcionários informarem que existem médicos e remédios suficientes, os moradores desmentem, informando que o atendimento é péssimo e a medicação receitada não é fornecida pelo posto.
Eliane Bezerra de Almeida é um exemplo. Ela precisa comprar dois remédios, porque o posto não fornece. Ela denuncia que os remédios são apenas para quem trabalha no posto - "os remédios chegam num dia e de madrugada o administrador vai e recolhe, a única coisa que realmente distribuem são os preservativos para quem se inscreve no programa familiar".
O posto não atende urgência nem emergência, Eliane conta que já viu várias pessoas passando mal na pracinha em frente sem condição de ser atendida, "quem precisa morre na praça esperando ônibus". A informação contradiz o que um funcionário do posto informou: que uma enfermeira atende se for algo simples e que os casos graves eles chamam uma ambulância e encaminham para o hospital próximo.
"Os melhores médicos não trabalham por muito tempo", diz Eliane. Ela lembra que tinha uma ginecologista muito boa no posto e as pacientes ficavam desde a madrugada na fila para marcar consulta, mas não durou muito tempo e ela saiu. A última vez que consultou no posto foi com um clínico geral que lhe encaminhou para um ortopedista com uma receita errada - ela estava com problema no pé direito e o médico mandou tratar o esquerdo. Desde então Eliana não pôde consultar, "nunca mais consulto nesse posto", afirmou.
Ana Costa de Sousa tem inúmeras queixas do posto. Uma é que no posto não trabalham nem a metade dos funcionários contratados. Segundo ela, o número de funcionários é alto. "Só para vigiar são três", frisa. Na última confraternização foi que eles constataram isso, pelo número grande de pessoas que nunca nem viram prestando algum serviço".
Ela conta ainda que na última seleção para agentes de saúde só foram contratados parentes do presidente da união. "Ninguém participou de prova nenhuma. Isso é uma bagunça, acho que deve mudar a direção disso aqui", sugere.
A equipe do Veja Agora visitou o posto às 11h da manhã e não havia nenhum médico, nem enfermeiro no horário.