Assim que alguém adentra o cemitério do São Cristóvão, Paulinho corre para atender. "Quer pintura, patrão?" oferece. A pessoa diz não, mas ele não desiste. Faz outra pergunta: "Quer lavagem da sepultura?". Leva outro não, mas em vez de desanimar, ele volta para a porta do cemitério à procura de quem queira seus serviços.
Paulino na verdade é o nome fictício de V.O. Melo, de 10 anos, que desde os nove trabalha no cemitério do São Cristóvão. Ele e mais uma dúzia de menores estavam ontem, misturado com adultos, ajudando na limpeza do lugar que hoje deverá receber visita de familiares dos finados.
O que é interessante é que o trabalho infantil nos cemitérios de São Luís não chama a atenção da Prefeitura e nem dos órgãos responsáveis por combater o problema na capital. Enquanto a reportagem de Veja Agora esteve no do São Cristóvão, ninguém, da direção às pessoas que anteciparam a visita de Finados, parecia ver qualquer coisa de errada no trabalho do pequeno V.O. M.
No cemitério Jardim da Paz, apesar das restrições à entrada de pessoas que não fazer parte do quadro de funcionários, as crianças oferecem seu trabalho na frente do lugar, vendendo flores e velas.
Outro cemitério onde pode-se encontrar o trabalho infantil é o do Gavião. Lá, crianças oferecem serviço de pintura e lavagem de sepultura. Perguntados sobre quanto faturam por dia, eles revelam que o valor varia, mas um menor admitiu ganhar até R$ 6,00 pelos serviços prestados.
"Não temos como coibir esse tipo de coisa. Eu tentei proibir, mas como sou sozinha, ou fecho a administração para vigiar esses meninos ou deixo de atender às pessoas que chegam para identificar as sepulturas dos seus parentes", admite a administradora do cemitério do São Cristóvão, Amélia Duarte.