Denúncias de corrupção, desvios de verbas públicas, favorecimento de aliados e malversação do dinheiro público não param de surgir contra o governador José Reinaldo. Acusado de fazer vista grossa para irregularidades envolvendo o posto clandestino de vendas de gás do seu secretário particular, beneficiar fundações de secretários com vultosas quantias em dinheiro, autorizar mais de R$ 200 milhões em despesas sem licitação, “construir” estradas fantasmas e favorecer, com repasses astronômicos de dinheiro, deputados, prefeitos e aliados políticos, vem à tona mais uma operação suspeita do governador.
Alegando que o estado está quebrado, endividado e com orçamento comprometido até, pelo menos, o fim do seu governo, José Reinaldo fixou em R$ 280 o salário dos servidores do estado, tornando-se o único governador do Brasil a não pagar o piso nacional de R$ 300. Uma vergonha que revolta os maranhenses e envergonha o funcionalismo público estadual.
Em contrapartida, de acordo com o que apurou Veja Agora, o secretário de Infra-Estrutura do estado, Ney Belo, foi agraciado, nos dias 16, 18 e 24 de outubro, com, respectivamente, R$ 22.027.583,00, R$ 8.900.000,00 e R$ 2.100.000,00. No total, são mais de R$ 33 milhões em créditos suplementares para a Secretaria.
Por lei, o crédito suplementar é um aditivo ao orçamento. Ou seja, além do que já havia sido definido no Orçamento do Estado para a Secretaria ainda no início do ano, o governador autorizou um repasse maior de verbas para o órgão. Os créditos suplementares foram viabilizados porque houve excesso de arrecadação, e, nesse caso, o governador decide qual órgão, programas ou ações receberão o dinheiro extra. O que causa indignação é que José Reinaldo podendo destinar esses recursos provenientes do excesso de arrecadação para pagar o salário mínimo de R$ 300 aos servidores estaduais, prefere alocar os recursos para obras de políticos. Um dos argumentos utilizados pelo vice-governador Jura Filho para conceder o aumento de R$ 20 ao funcionalismo a fim de que o salário chegasse aos R$ 300, foi o excesso de arrecadação registrado ao longo do ano de 2005.
Prova do desprezo do governador para com os servidores é que ele vem destinando sistematicamente todo o excesso de arrecadação para pagar os acertos políticos, com despesas sem licitação e com uma série de gastos altamente suspeitos de estarem sendo desviados, além dos recursos jogados fora com festas, farras, jatinhos, e outros mais para saciar a sede da primeira-dama Alexandra Miguel.
Que o governador faz o governo mais corrupto da história do Maranhão é sabido por todos; que ele desdenha dos órgãos fiscalizadores é um fato; que ele desafia a Justiça - afirmou que não vai cumprir a decisão do desembargador Liciano porque ninguém é obrigado a obedecer à ordem ilegal - também é fato; mas o que impressiona mesmo é a cara-de-pau com que ele maltrata os humildes funcionários estaduais, mantendo o salário miserável de R$ 280 enquanto arrecada milhões além do que foi previsto no orçamento.