
O tenente Joanilson, comandante da Companhia de Polícia Militar de Coroatá, recebeu com surpresa o comunicado do governador, através do Comandante da Polícia Militar, coronel Romão, transferindo-o da cidade de Coroatá para o município de Codó.
Segundo o que apurou Veja Agora, José Reinaldo decidiu punir o tenente a pedido do prefeito Luís da Amovelar que não se conformou com a atitude dele em coibir que se consumasse a destruição total da TV Cidade. Para Luís da Amovelar a pronta intervenção do tenente impediu que fossem destruídos os transmissores, a sala de redação e o estúdio da TV, o que para ele, era inadmissível. O vandalismo instigado pelo prefeito e comandado pessoalmente pelo vereador Ciba do PT e por secretários e assessores da prefeitura mostram aonde chegamos no Maranhão em termos de desrespeito à ordem democrática, à liberdade de imprensa, e , pior de tudo isso, com a conivência da maior autoridade do Estado. Como um Comandante em Chefe, no caso José Reinaldo, de uma força policial com a tradição que tem a Polícia Militar do Maranhão pode punir um oficial que agiu no estrito cumprimento do dever? Qual exemplo ele dá para a tropa? Como fica o coronel comandante da Polícia Militar? Como irá justificar essa punição aos oficiais e praças? O que nós, maranhenses, podemos esperar receber de uma polícia comandada sob a égide do desrespeito aos direitos mais comezinhos de todo o brasileiro? A reação do tenente ao saber da punição é exemplar e nos conforta. O único objetivo de José Reinaldo foi o de punir o tenente que, no caso da invasão à TV Cidade, ocorrida durante o último domingo e comandada pelo líder do governo na Câmara Municipal, vereador Sebastião Araújo “Ciba” (PT), agiu energicamente no sentido de defender uma propriedade privada e a integridade física dos empregados da emissora.
Para José Reinaldo, a Polícia Militar não deveria ter atendido ao chamado dos funcionários da TV Cidade. Consta que o tenente foi repreendido por não ter detido o diretor da TV, Carlos Rios, e o jornalista José Júnior. “A Polícia Militar não está aqui para servir só a administração, estamos aqui para servir toda a população”, disse o tenente em entrevista ao programa Tribuna Livre, da emissora invadida.
Ainda durante a entrevista, o policial revelou que pessoas ligadas ao grupo do prefeito Luís da Amovelar tentaram induzir o seu julgamento do caso assim que ele se dirigia à TV Cidade. “Encontrei muita gente me dizendo que algumas pessoas da rádio tinham disparado armas contra o povo”, afirmou. “Chegando lá [em frente à sede da emissora], vi que a história não era bem aquela que eles [partidários do prefeito] estavam me contando”, completou. De acordo com o tenente, o que houve, de fato, foi “um ato de vandalismo provocado por um vereador da situação”.
Veja abaixo, trechos importantes das declarações do tenente Joanilson ao programa Tribuna Livre.
“A imprensa da TV Cidade chegou lá [à sede da PM] me pedindo praticamente socorro porque estavam sendo atacados”
“Encontrei muita gente dizendo que algumas pessoas da rádio tinham disparado armas contra o povo. Chegando lá [em frente à sede da emissora], vi que a história não era bem aquela que eles [partidários do prefeito] estavam me contando”
“Houve realmente um ato de vandalismo provocado por um vereador da situação”
“A Polícia Militar foi toda mobilizada para a TV Cidade para exatamente preservar o patrimônio privado, assim como qualquer lugar que estivesse sendo atacado a Polícia Militar faria a preservação”
“Houve um crime lá [na sede da TV Cidade] de invasão. Muitos danos, muitas coisas quebradas”
“Foi um coisa incitada”
“O vandalismo foi comandado por um político, que tem, também, responsabilidade pela segurança pública”
“Tem uma fita onde mostra toda a situação: o momento em que as pessoas adentraram a TV Cidade, apedrejaram, invadiram e efetuaram os disparos”
“A polícia militar não está aqui para servir só a administração, estamos aqui para servir toda a população”
“Acabo de receber uma notícia que eu estou sendo remanejado, voltando para a sede [Codó]”.
ASSOCIAÇÃO DOS MAGISTRADOS DO MARANHÃO
“Ética e Responsabilidade”
Declarada de Utilidade Pública pela Lei Estadual nº 7.537 de 14 de setembro de 2000
Declarada de Utilidade Pública pela Lei Municipal nº 3.942 de 14 de dezembro de 2000
NOTA PÚBLICA
A Associação dos Magistrados do Maranhão - AMMA, entidade de classe representativa dos juizes que compõem a Magistratura Estadual, vem, de público, repudiar as críticas levianas e irresponsáveis, que não contribuem para o fortalecimento do Poder Judiciário, assacadas contra o juiz Alexandre Lopes de Abreu, da Comarca de Coroatá, no episódio relacionado ao Concurso Público para o ingresso de pessoal administrativo no Município, reconhecendo que o Magistrado no exercício de sua jurisdição tem se pautado com correção, competência e desprendimento, atributos indispensáveis para o exercício da judicatura.
São Luís, 22 de novembro de 2005
JUIZ FRANCISCO RONALDO MACIEL OLIVEIRA
PRESIDENTE
A posição de Veja Agora
Veja Agora considera fundamental o direito de expressão e também o da crítica. Por isso publica com satisfação a NOTA PÚBLICA do Juiz Francisco Ronaldo Maciel Oliveira, presidente da Associação dos Magistrados do Maranhão, em defesa do juiz da Comarca de Coroatá, Alexandre Lopes de Abreu. Veja Agora, porém, discorda do eminente presidente da Associação dos Magistrados. O que o jornal tem publicado em relação ao juiz de Coroatá são denúncias fruto de investigação e apuração criteriosa que colocam o magistrado numa posição absolutamente suspeita em tudo o que diga respeito à administração municipal e, muito especialmente, em relação ao prefeito Luís da Amovelar. O clima de violência que se instalou no município no último domingo muito se deveu à ausência do magistrado da Comarca. Apesar de ter sido notificado da decisão com antecedência, preferiu permanecer na capital, onde passa grande parte da semana. A simples presença do juiz naquele dia na cidade, com certeza, teria evitado a violência praticada pelo prefeito e seus comparsas. É compreensível e louvável o comportamento do presidente da Associação dos Magistrados, mas Veja Agora se permite discordar dele.