Em reunião tensa realizada no Palácio do Planalto, o ministro Antonio Palocci (Fazenda) transferiu para Lula a decisão sobre o seu futuro. Condicionou a permanência no governo a uma definição do chefe em relação às metas de superávit primário.
Depois de ouvir de Palocci o segundo pedido de demissão em menos de uma semana, Lula insistiu para que ele reconsiderasse a decisão. O ministro disse que não se sentia seguro em relação à disposição do governo de manter a meta de superávit de 4,25% do PIB.
O superávit é todo o dinheiro que o governo consegue economizar para pagar os juros de sua dívida. Palocci disse a Lula que acha essencial ampliar a meta. Algo que causa calafrios na ministra Dilma Rousseff (Gabinete Civil), hoje o principal contraponto do ministro da Fazenda no governo.
Para Palocci, a meta de 4,25% é insuficiente para diminuir a relação direta entre a evolução da dívida pública e do PIB. Informalmente, a equipe do ministério da Fazenda empurra o percentual para cima. Joga-o para próximo de 5%.
O maior receio do ministro da Fazenda é o de que a pregação supostamente desenvolvimentista dos seus opositores internos acabe por passar para o mercado a impressão de que o governo estaria na bica trocar a austeridade por uma enxurrada de gastos eleitorais.