O trabalho de investigação da CPI dos Correios deverá culminar no pedido de indiciamento de aproximadamente cem pessoas.
O relator da comissão, deputado Osmar Serraglio (PMDB-PR), afirmou que, se considerados os envolvidos em cada contrato irregular, o número supera os 50 projetados por ele inicialmente.
Ele cita como exemplo para embasar sua expectativa o relatório parcial divulgado ontem pelo sub-relator de contratos da CPI, José Eduardo Cardozo (PT-SP). Apenas no contrato que envolve a empresa Skymaster, foram feitos ao Ministério Público pedidos de indiciamento de 14 pessoas.
Entre os indiciáveis cujos nomes devem constar do relatório final, estão o deputado José Dirceu (PT-SP), o chefe de Assuntos Estratégicos da Presidência, Luiz Gushiken, o ex-presidente do PT José Genoino e o ex-diretor de Marketing do Banco do Brasil Henrique Pizzolato.
Dirceu não será tratado como o comandante do esquema de corrupção investigado, de acordo com Serraglio. “Ele é co-responsável. Será apontado como conhecedor, conivente e co-autor”, afirmou o deputado.
Genoino, por sua vez, será incluído por conta dos empréstimos firmados entre o empresário Marcos Valério Fernandes de Souza e os bancos Rural e BMG. “Se os contratos são verdadeiros, configura-se tráfico de influência, porque o empréstimo foi feito para nunca ser pago. Se forem falsos, é falsidade ideológica”, disse Serraglio.
Genoíno e Gushiken assinaram a regra que permitiu o pagamento antecipado de recursos às agências de publicidade, inclusive a DNA de Marcos Valério.
As antecipações seriam uma das fontes do valerioduto. Pela conta de publicidade da Visanet gerida pelo BB os envolvidos no suposto esquema de corrupção teriam desviado R$ 10 milhões para as contas do PT.