Carrasco vendido a José Reinaldo
Depois que se vendeu definitivamente para o governador José Reinaldo Tavares (PSB), o deputado estadual Aderson Lago (PSDB) parece que esqueceu mesmo de tudo o que já disse e pregou no passado. Antes um autodenominado ferrenho defensor dos professores, o parlamentar, hoje, é a mais perfeita tradução de algoz, carrasco da classe.
Mais uma demonstração da verdadeira falta de interesse para com a categoria foi dada pelo parlamentar tucano quando, da tribuna da Assembléia Legislativa, criticou os deputados oposicionistas que têm lutado em favor dos professores e contra a aprovação, pelo plenário da Casa, de projeto de lei que os prejudica.
Aderson Lago tem sido o porta-voz do governo no que diz respeito à discussão do assunto e, portanto, vem fazendo vários pronunciamentos contra os educadores e a favor de José Reinaldo que, através de uma manobra espúria, aprovou na AL, dia 23, projeto de lei que prorroga por mais um ano a suspensão, do Estatuto do Magistério Estadual, de artigos que garantiriam aos funcionários da educação gratificações, promoções e progressões do interstício, já excluídos por Medida Provisória editada pelo governador.
De acordo com o deputado, a justificativa de José Reinaldo para a manutenção dos efeitos da Medida Provisória aprovada à força ano passado, é o fato de que, se resolvesse pagar o que merecem os professores da rede pública de ensino, o Estado sofreria um impacto muito grande nas suas finanças. “Quem te viu e quem te vê!”, era o que mais se ouvia ontem nos corredores da Assembléia em relação ao deputado, além de traíra, vira-folha, e outros adjetivos impublicáveis. Aderson só não conseguiu explicar por que o governador deixou de aplicar – segundo relatório do deputado Max Barros (PFL) sobre as contas do governo – mais de R$ 20 milhões em Educação no ano passado. Também não esclareceu porque não foi evidenciada, pela Comissão de Orçamento, Finanças e Fiscalização da Assembléia, presidida pelo deputado Manoel Ribeiro (PTB), a aplicação de recursos do FUNDEF (Fundo de Manutenção e Desenvolvimento do Ensino Fundamental e de Valorização do Magistério) destinados ao pagamento de professores exercendo a atividade, em desobediência à Lei 9429/96.
Para quem sempre se disse defensor, Aderson Lago está se mostrando um verdadeiro traidor dos professores.