A imaginação fértil do governador José Reinaldo parece não ter limite quando assunto é tirar o máximo proveito da máquina estatal nesse menos de um ano que falta para que o Maranhão se veja livre do governo mais maléfico dentre todos os que já se passaram. São tantas as artimanhas e tantas situações para tirar proveito próprio que até Deus duvida. Isso, sem esquecer que há, por trás dele, uma outra cabeça que o ajuda a buscar soluções miraculosas para as doenças degenerativas de sua administração.
Por onde se olhe há sempre um ardil pronto a ser detonado contra o povo do Maranhão. A máquina de fazer dinheiro e, depois, desvia-lo, permanece funcionando vinte e quatro horas. Construtoras de larga experiência são cooptadas e trabalham em cumplicidade com o governo para avançar sobre os cofres do estado, num butim desvairado. Uma das preferidas é a Petra, ligada ao grupo Lourival Parente. Mas quem também se lançou de forma voraz sobre os dinheiros públicos, com a criminosa conivência do Governo foi a Camargo Corrêa, que desde 2003 vem sangrando o patrimônio público de forma escandalosa.
Mas outras há que já participaram da divisão desse bolo recheado de falcatruas e inflado à custa de muito termo aditivo e de maquiagens contábeis e fraudes nas obras. Todas, sejam as da construção das estradas fantasmas, sejam as que construíram ponte com dinheiro da Cide, entraram no esquema conscientes que estavam lesando o Tesouro do Estado.
Mas se o administrador é maquiavélico, o político é medíocre. Toda vez que toma uma iniciativa de sair na frente no jogo de xadrez da política regional o governador dá um atestado de incompetência e primarismo como estrategista. Aconselhado por alguns políticos resgatados do fundo do sarcófago, José Reinaldo tem sido o que em política se chama de neófito.
Sua desastrosa intervenção no episódio da vice-governadoria, quando teve que ser devolvido ao mundo dos reles mortais por força da Justiça, mostra o quanto os conselhos de seus áulicos lhe são prejudiciais. Ele, que se julgava um semi-deus, foi imolado na fogueira santa da democracia, onde a independência dos poderes não permite sobrevida aos ditadores.
Sua rancorosa vitória de Pirro no caso do Convento das Mercês o levará, sem dúvida, a expiar sua culpa no purgatório político destinado aos ímpios e traidores. A justiça, a exemplo de outras vezes, vai se sobrepor à força da prata. E então, todos serão humilhados como já o foram antes.
Mas a mente febril e delirante do governador não para de criar factóides. O último foi apresentar um projeto de emenda constitucional que lhe permite - e somente a ele -, deixar o Maranhão e viajar ao exterior, como turista, e permanecer governando a milhares de quilômetros de distância pelo telefone celular. O que levou o governador a engendrar plano tão primário? O amor! Ah, o amor! Esse amor que faz de nós perfeitos idiotas, principalmente quando, vítimas do cupido, não enxergamos o quão ridículo podemos ser quando nos roubam a sensatez.
O governador quer satisfazer um capricho de sua mulher que deseja viajar no final do ano para o seu último reveillon como governante do Maranhão, mas, não aceita deixar o seu vice no governo. Se não é, pois, a idiotização de um governo cujo epílogo se revela sombrio, que outro nome pode se atribuir a isso?