Rio de Janeiro - "Jogadores, exigimos o mínimo de dignidade e respeito ao Fluminense". Os dizeres estavam numa faixa que os torcedores do Tricolor levaram às Laranjeiras na manhã de ontem na reapresentação do elenco. O protesto, porém, não parou por aí. Os atletas do Flu ainda tiveram de ouvir xingamentos e treinar sob os gritos de "time sem vergonha".
Avisada previamente da possibilidade de protesto, a diretoria do clube carioca proibiu a entrada de membros das torcidas organizadas nas Laranjeiras. Somente os sócios poderiam assistir ao treino. No entanto, a medida não teve muito sucesso. Isso porque alguns sócios também são de torcidas organizadas, o que fez os dirigentes liberarem o ingresso de todos ao local do treinamento.
Além da faixa e dos gritos de "time sem vergonha", os pouco mais de 30 protestantes pediram "raça" aos jogadores e escolheram o atacante Tuta e o lateral-direito Gabriel como seus principais alvos. Ao camisa 9, eles pediram que voltasse para o Japão. E acusaram o ala de mercenário. Isso tudo em meio a muitos palavrões e xingamentos.
Os únicos poupados pela torcida foram o goleiro Kleber, o volante Arouca e o meia Petkovic, que chegou às Laranjeiras no segundo semestre e logo se destacou. Em sua apresentação, aliás, o sérvio prometeu que levaria o time à Copa Libertadores da América de 2006. A ameaça disso não acontecer, inclusive, foi o motivo do protesto de ontem.
Depois de ficar dez pontos à frente do Palmeiras e estar bem perto de garantir vaga no principal torneio das Américas, o Fluminense perdeu quatro jogos seguidos e viu o rival paulista diminuir para um ponto a diferença. As duas equipes se enfrentam neste domingo, em São Paulo, e o Tricolor garante lugar na Libertadores com um empate. Mas se perder dá adeus ao sonho.
Antes do início do treino, o elenco do Tricolor teve uma reunião de uma hora e meia com a comissão técnica e diretoria.