Um esquema de desvio de dinheiro público para abastecimento de caixa dois de partidos políticos (semelhante ao denunciado pela CPI dos Correios, e que envolve o PT) teria ocorrido entre 1997 e 1998, ainda durante o governo Fernando Henrique Cardoso (PSDB). É o que informa reportagem da edição desta semana da revista Carta Capital. A assessoria de imprensa do PSDB afirmou que o partido não vai se manifestar sobre o assunto.
De acordo com a publicação, contrato assinado em 1997 entre a Fundacentro (autarquia vinculada ao ministério do Trabalho) e a agência mineira de publicidade SMP&B, de Marcos Valério, estaria forrado de irregularidades, segundo ações que correm na Justiça. Sobrariam evidências, segundo trecho de ação citada na reportagem, de fraude na licitação, pagamentos indevidos e superfaturamento de preços. Além da SMPB&B, outra empresa de comunicação (a gaúcha Quality) teria se beneficiado do esquema. Ambas negam as denúncias, e dizem ter recebido por serviços efetivamente prestados.
Numa das ações, de acordo com a Carta Capital, calcula-se que R$ 24.905.571,84 (ou R$ 42 milhões em valores atualizados) escoaram do governo para as duas empresas. O maior fluxo de dinheiro se deu justamente no segundo semestre de 1998, período em que a agência de Valério comprovadamente irrigou as contas da campanha do então governador de Minas Gerais, Eduardo Azeredo, à reeleição.
A revista informa ainda que a investigação estaria emperrada desde 2002, quando a Justiça determinou o rastreamento dos recursos que teriam sido desviados. O Banco Central, porém, não atendeu à solicitação. Pelo menos R$ 5.752.815,81, em valores de 1998, são considerados "desvio direto de recursos", de acordo com ação ainda em trâmite, conforme publica a revista.
Humberto Parro, ex-presidente da Fundacentro à época, seria réu em Ação Civil Pública iniciada em abril de 2002, conforme relata a publicação. Ele nega as acusações. "Sou completamente inocente. Fui eu que descobri o desvio de recursos", disse ele à Carta Capital.
Parro, ex-prefeito de Osasco entre 183 e 1989, é amigo de Fernando Henrique Cardoso e militante histórico nos quadros do PSDB. Chegou a ser cotado para assumir um cargo na gestão de José Serra à frente da prefeitura de São Paulo.