Fossem os maranhenses cidadãos menos determinados e já teriam cansado de tanto denunciar os desmandos do governador José Reinaldo Tavares à frente do Executivo Estadual. Como não o são, continuam a aparecer, todos os dias, mais e mais evidências de corrupção numa administração que, desde o início, caracteriza-se pelo descaso com a coisa pública.
Estradas fantasmas; favorecimento de prefeitos aliados com remessas vultosas de dinheiro público para pagamento de acordos políticos; liberação de emendas de deputados estaduais apadrinhados, em detrimento da liberação das emendas de parlamentares realmente comprometidos com o desenvolvimento do estado; gastos exorbitantes com festas e viagens, enquanto o servidor amarga um salário mínimo de R$ 280 - o menor do país, registre-se. Estas são apenas algumas das denúncias que envolvem o governador José Reinaldo numa rede de corrupção de tamanha expressão que já se tornou até banal, aqui no Maranhão, falar-se em desvios de R$ 100 mil, R$ 200 mil.
No governo José Reinaldo, as fraudes só acontecem na casa dos milhões. Foram R$ 2,4 milhões para o deputado federal Ribamar Alves (PSB), em Santa Inês; R$ 4,5 milhões para a Fundação Sousândrade; R$ 5 milhões para o prefeito de Tuntum, Cleomar Tema; R$ 2,1 milhões para o deputado estadual Geovane Castro (PDT); e também R$ 2,4 milhões para o deputado estadual Alberto Franco (PSDB). Isso pra citar apenas os casos mais recentes.
Amanhã, estão programados dois eventos políticos que o governador pensa em tirar proveito: a reabertura do Teatro Artur Azevedo, que abrirá as portas sem as cortinas, e a inauguração da escola de aplicação construída pela UFMA que será entregue ao estado em forma de parceria.
Para José Reinaldo, as duas solenidades não passam de mais uma forma de tentar melhorar a sua imagem perante a sociedade maranhense, já tão desgastada pelos motivos que relatamos. Prova do descaso do governador para com o patrimônio histórico do estado é a obra de recuperação do prédio onde funcionava o Sioge que continua parada. E não se sabe por que, já que a verba - R$ 1.063.000,00 (olha os milhões aí de novo) - foi toda liberada pelo Governo Federal. Trata-se de uma obra que além de recuperar um prédio importante do acervo histórico de São Luís, abrigará uma grande escola de ensino médio. As obras estão paradas desde o mês de junho de 2004 e sem previsão para reiniciar.
Alguns podem questionar: mas no caso da UFMA a verba foi de R$ 1,5 milhão e a obra foi concluída. Porque não aconteceu a mesma coisa com o Sioge?
A resposta é simples. Porque a UFMA, é uma instituição federal, formada de pessoas compromissadas com a educação e o desenvolvimento do Maranhão e tinham um prazo e uma meta a cumprir.
No caso da recuperação do prédio da Rua Antônio Rayol não há nenhum compromisso, nenhum interesse, é apenas mais um prédio como tantos outros abandonados, é mais uma obra parada assim como existem dezenas espalhadas por todo o estado. O governador está fazendo tudo como sempre gostou de fazer: do seu jeito, sem dar satisfações a ninguém (a não ser à primeira-dama) e, com certeza, não vai conseguir concluir a obra. Primeiro porque não tem interesse; depois, porque não terá mais três anos e meio para fazê-lo. O seu governo está no fim.