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Assassinato de advogado revolta a cidade


Data de Publicação: 1 de dezembro de 2005
 
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MAIS VIOLÊNCIA EM IMPERATRIZ

Por: Josué Moura


A crescente onda de violência e insegurança reinante nos últimos dois meses em Imperatriz não para de surpreender. No final da tarde de ontem um crime com características de pistolagem atingiu de cheio a sociedade organizada. Foi assassinado com um tiro o advogado Valdecy Rocha.

O motivo do crime e os seus autores, até o fechamento desta edição ainda eram um mistério para a polícia. O modus operandi foi o mesmo que já se tornou marca registrada na cidade: dois homens numa motocicleta abordaram a vítima que estava dentro do carro na saída de seu escritório e um deles desferiu quase a queima-roupa o tiro fatal.

O crime aconteceu no centro da cidade, a menos de cem metros da Prefeitura Municipal e do Fórum Henrique La Rocque, sede do Poder Judiciário imperatrizense. Segundo informações de testemunhas, a menos de 100 metros do local do crime havia uma camionete Blazer da Polícia Militar quebrada por falta de assistência técnica. Ao dói do carro, quatro policiais militares aguardavam socorro e não puderam sair em perseguição aos criminosos.

Aos 52 anos, o baiano Valdecy Rocha era um dos tantos pioneiros que vieram para esta região. Advogado atuante, amigo sereno, militante político das primeiras horas no velho MDB, cidadão participativo, residia há mais de duas décadas na cidade onde construiu um patrimônio moral invejável. Era um profissional que se pautava pelo mais exigente cumprimento do dever. Dr. Valdecy, não poupou de si para a cidade e região. Aqui chegando jovem e recém-formado estabeleceu sua banca e aos poucos foi angariando o respeito das classes organizadas de Imperatriz.

Triste sina da nossa Imperatriz. O crime aqui não escolhe classe social, pessoa, raça ou credo. Nosso silêncio ou as poucas voz discordantes clamam como se estivessem clamando no deserto.

Sem que se consiga lembrar dos inúmeros assassinatos dos anônimos, às vezes classificados pela imprensa como "pertencentes ao submundo do crime", vítimas de "acerto de contas", há poucos dias um próspero empresário foi assassinado na porta de sua casa. Há menos de seis meses aconteceu a morte do vereador da cidade vizinha de Edison Lobão, vítima de latrocínio e há mais de um ano foi assassinado o jovem empresário Kennedy. A maioria dessas mortes tem pontos obscuros, e o governo do estado deixa sem uma resposta à sociedade. Há somente a certeza da impunidade ou do esquecimento.

Em Imperatriz aconteceram 79 assassinatos só este ano. Os números dão uma triste imagem à nossa cidade, que talvez seja uma das campeãs de foragidos do programa Linha Direta.

Pelo menos pela criminalidade e insegurança não nos distinguimos aqui. Morre pobre, morre rico, morre ignorante e morre culto. Enfim, a nossa sina está traçada. Tudo isto tem a haver com nossa falta de identidade e perseverança na busca de afirmação. Tem sim tudo a haver com nosso povo, com os nossos governantes.

Por certo o tiro que silenciou este baiano de origem e imperatrizense por adoção deve estar motivado por questão menor, sem a menor justificativa para este ato bárbaro.

A crescente onda de violência vai levar mais uma vez a população ás ruas da cidade em passeata que ainda está sendo organizada, sem data definida.

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