TIRANDO A SUJEIRA
"Armados" de vassouras, baldes de água e creolina, professores da rede pública estadual de ensino fizeram, ontem, uma grande manifestação pelo centro da cidade. Os educadores reuniram-se, a partir das 9h da manhã, na Praça Deodoro, de onde partiram para a Rua do Egito e Praça Dom Pedro II, com o intuito de "lavar", respectivamente, a Assembléia Legislativa e o Palácio dos Leões.
Os manifestantes protestavam contra a aprovação do projeto de lei que, dentre outras coisas, prorroga por mais 18 meses a extinção, do Estatuto do Magistério Estadual, de artigos referentes à promoção e à progressão do interstício da classe.
"Nossa intenção é mostrar para o governador e os políticos ligados a ele que nós não aceitamos esse tipo de traição", disse o presidente do Sinproesemma (Sindicato dos Trabalhadores em Educação da Rede Pública do Maranhão), professor Odair José.
Os professores já haviam previsto a manifestação desde o dia 24 de novembro, em virtude da manobra dos deputados governistas que incluíram, num projeto de lei que fala em gratificações e incentivo ao magistério, de um artigo prorrogando o cancelamento dos benefícios do professores, mesmo após reuniões entre o sindicato e as lideranças do governo no Legislativo para garantir sua volta.
Dentro da Assembléia, o presidente João Evangelista (PSDB) ponderava a recepção à liderança do movimento quando foi informado pelo deputado Chico Gomes (PFL) de que os professores não tinham mais intenção de conversar. "Deputado, os professores não vieram aqui para conversar, vieram apenas lavar a sujeira da Assembléia e já se dirigiram ao Palácio dos Leões para fazer o mesmo", disse.