Na esteira do discurso de Teresa Murad e da discussão sobre o Orçamento do Estado para 2006, cuja votação está prevista para acontecer antes do recesso parlamentar, os deputados oposicionistas, liderados por César Pires (PFL) e Manoel Ribeiro (PTB), exigiram da liderança do governo explicações para o fato de que só suas emendas ao Orçamento deste ano ainda não foram liberadas. "Eu faço aqui minhas exigências. Que sejam colocadas em xeque as assessorias jurídicas do Legislativo e do Executivo", discursou Pires, que também denunciou o beneficiamento de aliados.
Em aparte, Rubens Pereira (PDT) tentou explicar a situação e acabou se complicando. O pedetista afirmou que ao pefelista bastava marcar audiência com o governador para que as emendas fossem liberadas.
Logo depois, atento às afirmações de Pereira, Manoel Ribeiro solicitou ao deputado que seu aparte fosse registrado na ata da sessão. E justificou: "Eu quero acrescentar as suas declarações na peça judicial que estamos [oposicionistas] dando entrada para garantir a liberação das nossas emendas".
As deputadas Helena Heluy (PT) e Cristina Archer também criticaram o favorecimento ilícito promovido por José Reinaldo e exigiram posicionamento do presidente da Assembléia, deputado João Evangelista (PSDB), em defesa dos parlamentares. "Eu não aceito aquilo que já é lei, que já foi aprovado em plenário, ter que percorrer outros caminhos", declarou a petista, referindo-se aos depoimentos dos governistas de que os demais deputados devem pedir a liberação dos recursos em audiências com José Reinaldo.
Helena afirmou, ainda, que, durante a discussão do Orçamento de 2006, os deputados devem estar atentos para não caírem, mais uma vez, no que chamou de "Conto das Emendas".