A poderosíssima secretaria de Infra-estrutura do Governo do Estado foi o instrumento usado para ser perpetrada uma das maiores fraudes da história administrativa do Maranhão. A criação, em série, de esquemas corruptos para tungar o dinheiro do povo do Maranhão, no escândalo das estradas fantasmas, lesou os cofres do estado em mais de R$ 40 milhões de reais.
O esquema obedecia a um ritual simplório, mas que vinha sendo usado com assustadora freqüência. A mando do cunhado do governador, João Dominici, assessores graduados da Sinfra elaboravam um processo para pagamento de construção de estradas que jamais eram construídas. Um funcionário era instruído a atestar a realização das obras fantasmas e o governador José Reinaldo pagava incontinenti. A mulher dele, Alexandra Miguel, era quem tinha a palavra final. A Justiça do Maranhão, ainda que em caráter liminar, já decidiu que houve roubo dos dinheiros públicos e afastou o cunhado do governador e seus assessores.
Hoje, a Sinfra pode estar sendo outra vez o instrumento para se roubar o dinheiro dos maranhenses. É para ali que convergem os convênios que o governador quer assinar de forma fraudulenta com prefeitos e deputados aliados. É dali que podem sair as ordens de pagamentos para o novo esquema de corrupção do governador. Mas, ao contrário do esquema das estradas fantasmas, seu dirigente não é mais um cunhado corrupto e conivente, mas um homem que tem um passado a honrar e que tem um filho juiz federal e que não pode, sob nenhuma hipótese, se acumpliciar com aqueles que querem saquear o estado.
O Dr. Ney Bello sabe que os convênios precisam, para serem válidos, obedecer a um ritual burocrático, uma espécie de barreira anti-roubo, estabelecida pelos legisladores para impedir o desvio de sua finalidade. A assinatura de um convênio entre o estado e um município deve ser precedida, primeiro, da existência de recursos, ou derivados de projetos do governo, ou de uma emenda ao orçamento de autoria de um parlamentar, sob cuja rubrica seja definida a prioridade. Só então é que a prefeitura passa a elaborar o projeto que vai determinar onde e como serão aplicados os recursos. Após isso, a instituição que vai liberar os recursos procede a vistoria preliminar para verificar se realmente os serviços são aqueles constantes da solicitação, definindo o cronograma de sua aplicação e execução e, todos esse elementos fazem parte integrante do convênio a ser firmado. Só após esse procedimento legal o convênio pode ser assinado e os recursos liberados em conta especial do convênio.
No caso dos convênios que estão sob suspeição, nada disso foi feito. Os contratos entre o governo e as prefeituras estão sendo assinados em desobediência à legislação. Nenhuma vistoria prévia, nenhuma especificação de onde as obras serão realizadas, e quais os beneficiários dos recursos e os locais onde serão aplicados. As suspeitas são de que os prefeitos estão justificando os recursos com obras já executadas em outras épocas. O secretário Ney Bello tem um jurista em casa e sabe que convênios firmados dessa forma não têm base legal.
Se, ao contrário do que espera o povo do Maranhão, o secretário admitir as ilicitudes dos atos governamentais, se autorizar a liberação dos recursos, se atestar a realização das obras sem que de fato isso tenha ocorrido, o secretário terá que responder na Justiça pelos seus atos, e será apenas um espelho do ex-secretário João Dominici.