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A Taxa da Traição II


Data de Publicação: 10 de dezembro de 2005
 
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A indignação que tomou conta da sociedade de São Luís ante a possibilidade concreta de ter que vir a financiar, uma vez mais, a campanha dos aliados do prefeito Tadeu Palácio - ou, talvez, dele próprio -, é o único instrumento que pode ser utilizado para barrar, na Câmara Municipal, a aprovação do projeto que institui a cobrança da taxa de lixo, também já apelidada de ‘taxa da traição’, porque não estava no programa de governo apresentado pelo prefeito durante a campanha que o reconduziu à prefeitura de São Luís.

Com uma administração desprezível e incapaz de cumprir o que prometeu durante a campanha eleitoral nos serviços mais básicos, como limpeza pública, saúde, saneamento e transporte de qualidade, o prefeito se protege por detrás de uma intensa campanha publicitária. Quer esconder e não consegue ruas esburacadas, avenidas que tiveram sua camada asfáltica retirada sob a promessa de recapeamento imediato - o que nunca aconteceu -, lixo se amontoando nas áreas nobres, como o Olho Dágua, Renascença e Calhau, esgotos a céu aberto, bairros inteiros sem iluminação pública, mato crescendo nas praças e parques, calçadas quebradas e hospitais em verdadeiro estado de coma.

É nesse quadro, sem oferecer à população a contrapartida em serviços à cobrança dos elevados impostos, como o IPTU, que o prefeito quer avançar no bolso da população. Enquanto prefeituras do Brasil inteiro começam a rever projetos semelhantes que foram aprovados e estão sendo considerados inconstitucionais, o prefeito Tadeu Palácio, no afã de engordar a máquina a ser usada na campanha do próximo ano, navega na contramão desse movimento que sinaliza com o fim da cobrança da taxa de lixo.

Em São Paulo, maior cidade da América do Sul, com mais de 20 milhões de habitantes, o prefeito José Serra já percebeu a irracionalidade da cobrança e enviou projeto à Câmara paulistana para revogar a lei. Florianópolis e Belo Horizonte, com populações três a quatro vezes maiores que São Luís, seguiram o mesmo caminho e devolveram à população o respeito e a dignidade que merece, acabando com a taxa de lixo. Em outras cidades, como Fortaleza e Bauru, a pressão popular tem dado bons resultados. Bauru, cidade administrada pelo mesmo partido do prefeito aboliu a taxa. A indignação da sociedade tem obrigado os administradores municipais a rever a cobrança da taxa.

Só o prefeito de São Luís, com sua falta de visão administrativa e, talvez cumprindo determinação de seu chefe, o governador José Reinaldo, insiste em fazer aprovar uma lei que se afigura ilegal, imoral e socialmente injusta.

É hora de o povo voltar às ruas como o fez em outros momentos históricos da vida política e administrativa de São Luís. Exigir das autoridades o respeito que merece e impor, pela força da vontade do povo o desejo da maioria, não é afrontar a lei, mas tão-somente fazer valer o direito que cada cidadão tem de decidir seu próprio caminho. A população de São Luís precisa ir à Câmara Municipal, na próxima terça-feira e pressionar, de forma pacífica, os vereadores para que repensem e votem contra o projeto impopular e ditatorial do prefeito, e àqueles que preferirem trair a população como o prefeito está fazendo, seja destinado o repúdio das urnas.

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