Imperatriz - O vereador Antônio Dantas, ex-secretário Municipal de Saúde, em pronunciamento proferido nesta semana na tribuna da Câmara de Imperatriz, expôs a situação em que se encontram os trabalhadores da saúde que prestam serviços ao Sistema Único de Saúde (SUS) em nível nacional.
Ele explicou que, após a implantação do SUS pela Constituição de 1988, houve um grande crescimento tanto da abrangência como da tecnologia a serviço do paciente atendido na rede pública. "Contudo, o principal ator deste processo foi esquecido: O profissional de saúde", analisa.
Dr. Dantas, como é mais conhecido o vereador, observou que "em vista disto a respeito da evolução do SUS, na hora do atendimento, o paciente ainda não consegue sentir o salto de qualidade em decorrência de vários fatos, dentre os quais se destacam: A qualificação, o grau de envolvimento e a satisfação do profissional da ponta, ou seja, aquele que realmente atende ao paciente".
O vereador mostrou que apesar do SUS ser hoje o maior absorvedor da mão-de-obra dos profissionais que se formam na área de saúde, as escolas direcionam sua formação apenas para a área assistencial e não priorizam o ensinamento direcionado para a saúde público, incluindo escolas técnicas e até universidades. "Estes profissionais terminam sua formação sem ter a mínima noção de seu verdadeiro papel dentro do SUS, não tem idéia da responsabilidade social e nem dos aspectos técnicos que envolvem o sistema, e se tornam meros cumpridores de ordens. Na área da saúde, que lida com vidas, este perfil profissional não é aceitável", disse Dantas.
Além da má qualificação profissional, outro aspecto importante é a relação arcaica existente entre o sistema gestor e os trabalhadores. Já em vista a nossa realidade histórica, social e política, o vereador Antônio Dantas diz que no Brasil temos um perfil de gestão autoritária e centralizadora, onde muitas vezes quem coordena e 'manda' não tem o mínimo conhecimento técnico do problema e se encontra distanciado da realidade local, além de desconhecer qualquer política que desenvolva e dê dignidade ao trabalhador em seu ambiente de trabalho.
"Situações graves das relações trabalhistas como precarização dos vínculos do trabalho, que ainda ocorre com muita freqüência; ausência total de qualquer plano de cargos, carreiras e salários; inexistência de rotinas ou planejamentos referentes a discussões salariais; falta de investimentos em capacitação de servidores e desconhecimento total da importância da participação do trabalhador nas discussões que envolvam melhorias do atendimento no seu local de trabalho, fazem com que não haja estímulo, envolvimento e qualidade no atendimento", explicou o vereador.
Dantas enfatiza que é fundamental que a gestão reconheça a necessidade de mudança de atitude e do diálogo nessa relação, que as escolas formadoras se envolvam neste processo, e que também o trabalhador não se esconda dentro da redoma da "estabilidade pública", mas assuma seu papel com comprometimento. "Sem estes passos dados o governo pode triplicar a verba da saúde, e ainda assim, a peça mais importante do sistema, o paciente, não sentirá e nem se beneficiará deste aumento de investimento", finalizou ele.