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Cobrando a fatura


Data de Publicação: 15 de dezembro de 2005
 
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O governador José Reinaldo perdeu de vez a paciência com aliados e liderados da Frente da Traição. Desesperado ante os números da última pesquisa do Ibope e com a revelação de que as avaliações de seu governo continuam apresentando índices sofríveis - a rejeição ao governo beira os 80% -, o governador perdeu as estribeiras e exigiu dos líderes partidários que comandam a sua base política resultados do investimento milionário que fez. Numa reunião com os deputados governistas, chegou a afirmar que estaria sendo traído por todos. No encontro que manteve com Jackson Lago, João Castelo, Tadeu Palácio e João Evangelista, presentes também presidentes dos partidos da base governista, ouviu do prefeito de São Luís que outra pesquisa feita por um instituto de renome nacional contratada por ele repetiu os números do Ibope.

O investimento que o governador alega ter feito se traduz nas nomeações de apadrinhados políticos do grupo governista, na liberação de verbas através de convênios para prefeitos, associações e hospitais ligados a deputados fiéis às ordens do Palácio dos Leões e no uso das máquinas do governo e da prefeitura colocadas à disposição dos candidatos e dos partidos da base aliada.

Demonstrando profunda irritação com os seus deputados e com os pré-candidatos ao governo, José Reinaldo disse que quanto mais realiza gastos com a campanha de seus comandados, mais a ex-governadora e atual senadora Roseana cresce na preferência popular. Aliás, esse foi o motivo de seu destempero, quando, no domingo, ofendeu a senadora.

Ele disse que não entende por que, já que vem facilitando o acesso de seus liderados a milhões de reais do erário e apesar da intensa campanha de divulgação de sua administração os resultados são desanimadores. Apopléctico, chegou a esmurrar a mesa de reunião por várias vezes, numa demonstração de total descontrole emocional, diante da certeza de que, em breve, sua Frente da Traição e seus projetos mirabolantes de continuar afundando o Maranhão serão definitivamente sepultados.

Na reunião com os deputados de sua base na Assembléia Legislativa, que iniciaram um movimento de rebelião cobrando a liberação de verbas do orçamento de 2005 para votarem o orçamento do próximo ano, José Reinaldo voltou a perder o controle e, várias vezes, esmurrou a mesa, insinuando que eles estariam traindo sua confiança fazendo corpo mole para beneficiar Roseana. Ele teria dito que cumpriu todas as condições impostas pela sua bancada para que tivesse o seu apoio, mas que nada disso estava dando resultados positivos.

Ele jogou na cara dos deputados que repassou 27 milhões de reais em verbas suplementares para a Assembléia e que os compromissos assumidos para atendimento dos prefeitos, associações e hospitais de interesse de cada um estavam sendo cumpridos e o que vem percebendo é que eles não se empenham em defender sua administração, daí o alto índice de rejeição do governo. Mas a ira do governador, segundo ele próprio externou, é maior em face não de seu desempenho, de vez que ele já não pode fazer mais nada para melhorá-lo, mas devido ao crescimento continuo da popularidade da senadora Roseana. José Reinaldo vê nisso uma afronta a si mesmo e não aceita, sob nenhuma condição, que sua ex-protetora e chefe continue a ser a maior liderança política do estado, apesar de tudo o que ele fez para desconstruir tudo o que foi feito por ela quando governou o Maranhão.

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