A previsão otimista do deputado Romeu Queiroz (PTB-MG) se confirmou e o plenário da Câmara arquivou o processo de cassação do seu mandato. Líderes da própria base, temem um reflexo na votação dos demais processos do mensalão.
- Minha absolvição pode até ter um reflexo nos outros processos, mas não fiz esse entendimento. Fiz um trabalho individualizado e tenho muitos amigos na Casa . A grande maioria do PT votou comigo, mais de 50 deputados - disse Queiroz antes de deixar a Câmara rumo à festa de comemoração.
O presidente da Câmara, Aldo Rebelo, não acredita na relação entre os processos de cassação.
- Cada caso tem as suas características - afirmou.
Aldo não quis fazer comentários sobre a decisão tomada pela Casa em relação a Queiroz.
- A minha tarefa é conduzir os trabalhos com isenção; o julgamento é dos deputados.
O líder do PSB, Renato Casagrande(ES), teme que haverá um grande desgaste para a imagem da Câmara.
- A absolvição do Romeu Queiroz é uma sinalização, de fato, para os demais processos. É emblemática, porque é o primeiro caso de um parlamentar que se beneficiou de recursos oriundos do caixa dois. A convocação extraordinária, no mesmo dia da absolvição, fortalece a imagem negativa da Câmara. A expectativa da população era que se cassasse - lamentou Renato Casagrande.
O líder do PTB, José Múcio Monteiro(PE), que discursou em defesa de Queiroz, disse que a absolvição foi um ato de coragem da Casa.
- A Câmara teve coragem de fazer justiça a um parlamentar inocente. Isso mostra que temos de analisar cada processo sem a visão de que é preciso cassar para salvar a própria pele. Não é condenando as pessoas que a casa vai se salvar - disse Múcio.
O líder do governo na Câmara, Arlindo Chinaglia(PT-SP), também defendeu a tese de que cada caso é um caso. Mas negou que seu partido, o PT, tenha participado de um acordo para salvar seus deputados.
- Isso derruba a tese do mensalão, que não se confirma.Cada deputado produz uma síntese com suas próprias características. Há um tanto de imprevisibilidade em cada caso. Não tenho a mínima idéia se 50 deputados do PT votaram pela não cassação. Não houve uma reunião de bancada para uma decisão coletiva - disse Chinaglia.
- São casos parecidos e vai sinalizar que o plenário precisa aprovar penas alternativas daqui para frente. Não adianta o Conselho pedir a cassação, se o plenário não quiser. A opinião pública entenderá - avaliou o líder do PL, Sandro Mabel(GO), o primeiro envolvido no escândalo do mensalão a ser absolvido.
A NOITE DA VERGONHA
OU NOS MORALIZEMOS TODOS OU DEVOLVAM
O MANDATO DE ZÉ DIRCEU!
Jorge Bastos Moreno
Sem meias palavras: a Câmara dos Deputados traiu a esperança do povo brasileiro hoje à noite ao negar a cassação do mandato parlamentar de Romeu Queiroz (PTB-MG ), notoriamente envolvido com o mensalão. Não é nem sinal, é o grito de largada para a impunidade de outros 11 acusados que serão julgados em 2006.
Urge agora a sociedade pressionar a Câmara para que não abra sua pizzaria na convocação extraordinária com o nosso dinheiro. No dia que o presidente Aldo Rebelo anuncia a convocação extraordinária, que tem no julgamento desses 11 deputados sua maior motivação, a Câmara oferece essa indigesta degustação de pizza para a população brasileira.
Que se cancele imediatamente essa convocação. O resultado dela já sabemos qual será.
Deixaram correr solto. Os líderes, com exceção de alguns, não instruíram as bancadas.
O mínimo que deveriam fazer agora seria devolver o mandato de Zé Dirceu. Para salvar o mandato de Queiroz a orquestração foi sinistra, na calada da noite.
Estamos diante de um grande escândalo propiciado justamente pelos que deveriam acabar com os escândalos.