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Adolescente confirma que padre saiu com 75 garotos só no Cohatrac


Data de Publicação: 16 de dezembro de 2005
 
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DECLARAÇÕES COMPROMETEDORAS

Na manhã de ontem, na sala de audiência da 2ª Vara Criminal, no Fórum Desembargador Sarney Costa, após dois adiamentos, finalmente, aconteceu à audiência de inquirição de três testemunhas no processo de exploração sexual que figuram como acusados o padre Félix Barbosa Carreiro e o jovem Edson Correia Filho.

Várias declarações comprometedoras, bem diferentes das dadas pelo padre foram declaradas pelo adolescente D.A.C.F., de 17 anos, residente no bairro do Cohatrac, entre elas, o consumo de maconha com duas pessoas que ele identificou como Aldo Júnior, que seria o atual parceiro do padre, além de Gilberto Abdalla.

D.A. disse ainda que, somente no bairro do Cohatrac, conhece cerca de 75 adolescentes que saíram com o padre, no entanto, ao ser perguntado os nomes pela promotora, o mesmo se negou a responder, alegando que já sofreu ameaça de morte, caso prestasse tal informação.

"Conheço todos esses meninos que saíram com o padre, mas gostaria de não citar nomes para preservar minha integridade física", declarou.

Outra informação que até o momento havia sido apenas especulativa, acabou sendo confirmada com o depoimento do adolescente. Como divulgou amplamente nas duas declarações na polícia e na Justiça, o padre era alvo de chantagens vis e baixas. "Usando o próprio celular, Aldo Júnior batia foto do padre fazendo sexo com outros meninos para depois fazer chantagem. Quando ligava para Félix e ele não podia atender, era porque estava em reunião ou celebrando missa, Aldo Júnior faziam inúmeras chantagens, entre elas, de contar tudo que sabia para o arcebispo, mesmo este já tendo conhecimento do comportamento do padre", disse D.A.

Segundo o adolescente, a denúncia feita em 2003 contra o comportamento do padre ao Ministério Público, quando ele era pároco da igreja do Parque Timbira, foi feito por Aldo Júnior.

Declarações comprometedoras

Muitas das perguntas formuladas pelo Ministério Público tinham o objetivo de esclarecer como esses adolescentes entravam nos motéis sem que houvesse qualquer questionamento por parte da direção, no tocante a idade. D.A. respondeu que nunca foram barrados em nenhum desses estabelecimentos comerciais.

Segundo D.A, as farras promovidas nos motéis, sempre custeadas pelo padre, eram tantas que, em determinada oportunidade, eles atearam fogo na colcha da cama e, quando já iam sair, o padre teve que voltar para pagar, entretanto, como não havia mais dinheiro, usou o cartão para pagar a quantia de 60 reais.

O adolescente disse ainda que, tendo em vista ao quarto luxuoso que o padre ocupava na Igreja de São Pantaleão, era frequentador assíduo, onde passou último Carnaval. Na ocasião, ele declarou ainda que transaram nas dependências da casa paroquial, e descreveu com riquezas de detalhes, o cômodo ocupado por Félix. " A cama era grande, luxuosa e confortável, tinha uma TV 29 polegas, DVD, vídeo cassete e o ar condicionado era regulado via controle remoto", afirmou.

Ainda segundo D.A., inúmeras as vezes chegou a passar à noite inteira bebendo e transando na companhia do padre e, no dia seguinte, acompanhar o padre celebrar missa nas paróquias do Cohafuma e Recanto dos Vinhais. Ele confirmou o desvio de cerca de 100 mil reais da igreja do Cohafuma, quando a mesma estava sendo construída, declarando que parte do dinheiro foi usado para compra de um veículo Astra.

Padre Trindade

D.A. confirmou o depoimento que deu na polícia, afirmando que conheceu o padre Raimundo Trindade, chegando, inclusive, a "sair" uma vez com ele. Conforme o adolescente, certo dia estava em um canto esperando Félix quando Trindade teria passado no local, parado e perguntado o que ele estava fazendo ali, obtendo como resposta que aguardava pelo padre. " Ele me convidou para lanchar, conversamos um pouco e na volta, este parou no local ermo onde fez sexo oral em mi, em seguida, me deixou no mesmo local, deu-me 25 reais e foi embora", finalizou o garoto.

Segundo D.A., tempos depois, foi na igreja de São Pantaleão procurar Félix e como este estava ocupado, mandou que fosse assistir missa, quando teria se deparado com Trindade e, ao perguntar quem era aquela pessoa, soube tratar-se também de um padre com o nome Trindade. Quanto a Edson Filho, D.A. disse que nunca havia saído em companhia dele, e que ouviu falar que, no dia do flagrante, era a segunda vez que saía com o padre.

Sala de bate papo

Além do juiz José Joaquim Figueiredo dos Anjos, da promotora Fátima Travassos, os advogados de defesa dos dois acusados acompanharam as declarações. D.A., que foi o primeiro a prestar depoimento, declarou que conheceu o padre através de uma sala de bate papo na Internet, há cerca de um ano e seis meses, e que o primeiro encontro aconteceu tempos depois em um bar na praia do Araçagy.

Naquele dia, depois de consumir bebida alcoólica, segundo o jovem, o casal seguiu para um motel, que ele não soube precisar se foi o Eros ou Snooby, onde mantiveram relação sexual, figurando D.A. como passivo. "Sair com ele tantas vezes que não sei precisar o número de vezes, e sempre fazíamos sexo", disse o adolescente. Ainda segundo ele, já chegou a sair com outros seis garotos em companhia do padre, o qual nunca permitia que mantivessem relação entre si. "Todos estavam ali apenas para satisfazer as fantasias sexuais do padre. Ele era quem "ficava" com os adolescentes", disse.

"C" de bêbado não tem dono

Negou que antes tivesse mantido relacionamento sexual com homem ou mulher, mas disse que, certa vez, em companhia do padre, um colega e uma jovem conhecida como Michele, os quais todos foram para o motel. Lá, teria dormido depois de se embriagar e, ao amanhecer, acordou sentindo dores no reto. "Certa vez cheguei a sangrar, e um dia, depois que come pato, veio tudo para fora. Procurei um médico no hospital do Ipem, o qual não detectou nada mais grave, passou um remédio para desinflamar, no entanto, me disse que eu havia sido tocado", finalizou.

Outros dois adolescentes, ambos de 17 anos, também prestaram depoimento. P.P.S.N. afirmou que saiu apenas 4 vezes com o padre, figurando sempre como ativo, e ao final de cada "saída" foi presenteado com a quantia de 30 reais. Já I.C.S.L. disse que saiu sete vezes, sendo que apenas em três foram para o motel, onde figurou como ativo e passivo. A próxima audiência acontecerá na próxima segunda-feira, onde outros adolescentes deverão ser ouvidos.

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