Buraco de seu Severo, buraco de dona Glória, buraco de seu Vavá, de dona Antonia e assim por diante. No Bairro de Fátima, os buracos tem nome e sobrenome. Eles são feitos por moradores cansados da inoperância da Caema, que há 3 meses não fornece água para as ruas da Liberdade (ou Águas Verdes) e Maceió.
Imaginando que teriam alguma solução para o problema, os moradores foram a Caema informar o que estava acontecendo. Segundo eles, a empresa até mandou uma equipe para ajeitar algo lá no cruzamento com a Rua Ademar de Barros, mas o fornecimento não foi normalizado.
Não vendo outra solução, Severino Leonardo Cabral fez um buraco na porta da sua casa e depois dele vários outros moradores fizeram o mesmo. Todos os dias, cada "dono de buraco" passa a noite esperando que a água chegue para começar a encher seus reservatórios. Severino diz que na casa onde mora costuma chegar água de duas horas da madrugada em diante e só tem até seis da manhã. "Aí se forma uma fila enorme para encher balde", contou.
Sem dormir para encher baldes, o motorista Daniel Ferreira de Santos Neto está com uma bursite de tanto carregar balde com água todos os dias. Faraílde Diniz tem 66 anos e sofre de osteoporose, mesmo assim pega água todo dia. "Não peço mais para minha filha que está com a mão cortada de tanto carregar balde", alegou. Faraílde se queixa das contas que não atrasam e dos funcionários que passam fazendo a leitura dos registros. "Mas água não fornecem", critica.