Em uma operação conjunta das Delegacias de Furtos e Roubos, Estadual de Investigação Criminal, Homicídios e Comando do Policiamento Metropolitano da Polícia Militar, que teve início às 4h da manhã e foi até das 10h de ontem, resultou na prisão de outros dois assaltantes, considerados de alta periculosidade, acusados de inúmeros assaltos na capital e interior do Estado.
A polícia conseguiu localizar na Cidade Operária, Allison Roberto Pestana Rocha, e no condomínio Novo Tempo, no Angelim, Francisco Valbert Lima Silva, conhecido como "Beto", através do depoimento de Damião Ferreira Oliveira, que foi preso na tarde da última terça-feira, depois de se envolver num acidente na Avenida Kennedy, próximo ao Corpo de Bombeiros.
Na ocasião, em companhia de "Beto", depois de haver assaltado dois mil reais do comerciante Henrique José Ramos da Silva, dono de uma loja de material de construção, no bairro do Maiobão, Damião estava em fuga. Em depoimento, ele forneceu os endereços onde os comparsas estavam escondidos.
Cerca de 40 homens participaram da operação desenvolvida em diferentes bairros da capital, entre eles, Forquilha, Cidade Operária e Angelim. No total, oito pessoas acabaram sendo detidas, mas após triagem na Delegacia de Roubos e Furtos, apenas "Beto" e Alisson ficaram presos e foram autuados por formação de quadrilha.
Ações delituosas
Em depoimento, de acordo com informações do delegado Maymone Barros, a dupla confessou a participação em vários assaltos ocorridos na capital e interior, entre eles, o de um carro forte no Pop Center, na Cohab, em fevereiro deste ano, e das agências dos Correios, nos municípios de Bacabeira e Santa Rita.
Naquela ocasião, no município de Santa Rita, segundo Damião, o Santana Azul usado na fuga, que foi ateado fogo em seguida, era de propriedade dele. Ainda segundo o delegado, eles também confessaram o assalto ocorrido no início do ano, próximo ao Viaduto do Café, onde um representante da empresa Nestlé foi a vítima. Na oportunidade, um vigilante da empresa Norsegel acabou sendo baleado.
Na tarde de ontem, acompanhado de dois funcionários, o prefeito de Primeira Cruz, Urbano Marques, compareceu na sede da especializada. Lá, duas pessoas reconheceram Damião como sendo um dos homens que, no último dia 2, roubaram 22 mil reais que havia sido sacado no BB do João Paulo. O assalto ocorreu em frente à casa do prefeito, no bairro do Planalto.
Segundo o delegado, a quadrilha é composta por 15 pessoas, sendo que algumas, conhecidas como "Felito", "Carlito" e "Panquinha" já foram identificadas. "O "Panquinha" esteve aqui na delegacia prestou um depoimento espontâneo, confessou participação em alguns assaltos, mas foi liberado em razão de não ter sido preso em flagrante ou ter mandado de prisão. Como eles(acusados) já estão identificados, iremos representar pela prisão preventiva de todos os acusados", finalizou o delegado.
No final da tarde, em razão do assalto as agências dos Correios, policiais federais estavam sendo aguardados da DRF para que os acusados dessem ciência em mandados de prisões expedidos pela Justiça Federal.
O assalto
Acompanhado da esposa e uma cunhada, na tarde da última quarta-feira, o comerciante José Henrique sacou 5 mil reais na agência do Bradesco, no bairro do João Paulo. Em seguida, depois de pagar algumas duplicadas, no valor total de 3 mil reais, ele deixou a agência com o restante do dinheiro.
Além de "Beto", que estava na moto, a vítima passou a ser seguida por Allison e Damião num Pálio preto, no entanto, logo a frente, Damião passou para moto e, nas imediações da passarela do samba, anunciou o assalto. Depois de entregar a bolsa com o restante do dinheiro, o comerciante passou a segui-los.
Os acusados subiram pela Cajazeiras, e quando fizeram à curva em direção ao Parque Bom Menino, o condutor perdeu o controle, depois de colidir na traseira de um ônibus. Como ficou bem mais lesionado, Damião não teve a mesma sorte do comparsa, que conseguiu se evadir.
No depoimento, Damião confessou que, segundo o informante, o comerciante iria sacar 35 mil reais e não apenas cinco e, caso soubesse que o valor correto, jamais teria participado do assalto, pois o valor era muito pouco.