ExpedienteEdições AnterioresMapa do SiteFale Conosco
EDITORIALPOLÍTICACOLUNASSÃO LUÍSENTRETENIMENTOESPORTEGERALPOLÍCIA
São Luís -
Home » Edições Anteriores » Dezembro/2005 » Edição 126 » Especial

Riscos e má-vontade


Data de Publicação: 18 de dezembro de 2005
 
Diminuir corpo de textoAumentar corpo de texto

ÍndiceTexto AnteriorPróximo Texto

Jornal Veja AgoraPara a professora Flávia Mochel, somente o fato de abrir as comportas da lagoa não fará com que o problema seja resolvido, pois os metais pesados podem entrar em contato com a água da orla marítima e causar um sério problema para o setor turístico da cidade, com a interdição das praias para o banho.

“Por isso é importante o papel da imprensa. Para divulgar o risco que a população está correndo. Meses anteriores, nossos estudos foram desacreditados pelo poder público, principalmente pela Prefeitura de São Luís, dizendo que era impossível que tivesse metais pesados no fundo da lagoa porque não era lançado lixo ali. É um absurdo essa afirmação. Ao longo dos anos e depois da urbanização que foi feita nela, esgotos in natura são lançados na lagoa todos os dias”, diz Flávia Mochel.

Jornal Veja AgoraSegundo ela, o saneamento básico na lagoa é importante não só do ponto de vista estético, mas também do prisma da saúde da população, da ecologia, do social e do econômico, já que várias famílias de pescadores sobrevivem do pescado retirado dali.

“Isso tudo não foi feito ainda porque falta vontade política. Em 1991, entregamos um projeto sobre a lagoa na SEMA. Ele previa acabar com o mau cheiro da lagoa, que atualmente está 10 vezes pior, e o monitoramento do saneamento depois de executado. Infelizmente ele não foi aprovado porque iria aumentar 30 vezes o seu valor, pois incluíram a urbanização da lagoa, que posteriormente foi feita, mas sem o principal que era o saneamento dela”, revela.

Para Flávia Mochel, antes de fazer qualquer tipo de saneamento na lagoa, é preciso levar em conta a situação atual dela, parar com o lançamento de esgotos e fazer o canal do Jaracaty funcionar. Quem também concorda com esse procedimento é o professor de Ciências Ambientais da Ufma, Antônio Carlos Leal.

A pesquisa dele, que foi realizada em 1998 e que apontou que a reestrutura da lagoa, na parte de engenharia, não foi feita da forma correta. “O estudo mostrou que o redirecionamento das comportas seria uma alternativa para acabar com a poluição”, relata.

No estudo, o especialista verificou um indicativo de plantas macrófagas que competem por alimento e que, por não o terem em suficiência, acabam morrendo, se decompondo e exalando o mau cheiro conhecido da Lagoa da Jansen.

Entretanto, o problema é agravado por conta do lançamento dos esgotos que vêm dos hotéis novos e antigos localizados na região da lagoa. “A lagoa hoje tem um metro de lama podre, houve um problema técnico na remodelação dela. Hotéis mais novos estão jogando esgoto in natura. Alguns têm sistema de tratamento, mas outros não. A Sema deveria verificar isso e não faz”, opina.

De acordo com ele, a Prefeitura de São Luís e o Governo do Estado têm uma grande responsabilidade sobre a situação da lagoa, que atualmente é um foco de doenças como a cólera, a hepatite e a esquistossomose.

“Já encontramos o caramujo que é o hospedeiro da esquistossomose. Tudo isso são implicações decorrentes do estado em que se encontra a lagoa. Esse molusco faz parte do processo de disseminação de doenças. O problema é que todo mundo sabe disse, o Governo do Estado, a SEMA e os órgãos de saúde, mas ninguém faz nada. A pressão tem que vir da sociedade”, orienta.
O professor também garante que a cada ano que passar, a tendência do mau cheiro e da mortalidade de peixes é se agravar, se nada for feito e que deve aumentar o índice de doenças como a cólera e a hepatite.

BUSCA:

Edição 126
Edição 126
Página Anterior | Recomendar | Imprimir | Topo

Jornal do Povo do Maranhão - Jornal Veja Agora
Copyright 2005 - 2006 Jornal Veja Agora. Todos os direitos reservados
Rua Jorge Damous, nº 257, Caratatiua - São Luís - MA
Tel: (98) 3253-6696 Geral - 3253-6605 Comercial e Assinaturas
redacao@jornalvejaagora.com.br