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Cordéis


Data de Publicação: 18 de dezembro de 2005
 
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O PERFUME DA ROSA E O MAL CHEIRO DO REI
Cantador: Boca de Fogo

Lá vem o rei Sugismundo
Com o Lago velho nas costas
Tanto fede o velho lago
Como o rei que o transporta
Se for pra nos enganar
Contando as mesmas lorotas
Quando eles chegarem perto
Soltem os cães e fechem as portas

Lá vem a dama da corte
Disfarçando lentamente
Prevendo a queda do touro
E o desmantelo da frente
Já pensando em novos rumos
Numa vida independente
Deixando um rei para trás
Atormentado e demente

Lá vem o outono chegando
Com o mês de outubro esperado
E o dia três decisivo
Pra acabar esse reinado
Depois não queiram dizer
Que já não foram avisados

Lá vem a grande guerreira
Subindo em toda pesquisa
Livre, forte, soberana
E suave como a brisa
Junte-se a nós enquanto há tempo
Ou vá tirando a camisa
Reinaldista apaixonado
Para pegar uma pisa

Nunca vi plantar espinho
E não ter dor para colher
Como quem se acostumou
Com a sombra do poder
Dando uma de moralista
Nas alcovas do prazer

Esses, sim, é que já deram
O que eles tinham de dar
Uns deram pra puxar saco
E outros para furtar
Mas tem veado mansinho
Que é difícil tolerar

E quando chega à Assembléia
Se torna um parlamentar
E de tantas falcatruas
Ele começa a soltar
Uma inhaca desgraçada
Que mais parece um gambá

E já que falei nos bichos
Hoje mesmo eu vou cuidar
De fazer uma armadilha
Para poder agarrar
Um certo cachorro doido
Pra carrocinha levar

E os criadores de farsa
Puxando saco em vão
Pedro Freire, Dr. Peta
O Sabujo e o Babão
Que só escrevem mentiras
Por não ter televisão

Mas tem o Chico Viana
Um tipo de falastrão
Daqueles que jogam pedras
Com outro lhe dando a mão
Mas nunca acertaram uma
Porque quem joga é o bichão.

Toda essa camarilha
Nós temos que despachar
Direto para as profundezas
Onde eles devem ficar
Atentando o demo com reza
E nunca mais aqui voltar

E nos recintos do império
Só vendo pra acreditar
No que está ocorrendo
De quatro anos pra cá
Uma ciranda de sujos
Que dá nojo até pensar
Pra onde só vão festeiras
Que gostam de vadiar
Veja o nosso Maranhão
Nas mãos de quem foi parar

De um lado um rei sem pudor
No fim de uma trajetória
Cheio de contradições
Sobre uma vida ilusória
Entre um reino de folia
E as ambições de uma glória
Sem passado e sem presente
E sem nome para a história

Do outro lado o rei dos gatos
Roubando a população
Cobrando o que não devemos
Sem ter dó nem compaixão
Tanto rouba com seus gatos
Como faz tapeação
Na campanha era um santo
No poder é um ladrão

Ó, seu cara repuxada
Cabeleira de cuandu
Do jeito que você rouba
Vai deixar a gente nu
Portanto, pegue a sua taxa
E junte com o IPTU
Transforme num silicone
E tape o buraco do ouvido

Por essa não haver rimado
Vou falar no infeliz
Que quis sujar nossa rosa
Lá dentro de Imperatriz
Um rei tão sujo e imundo
Que já nem sabe o que diz

Respeite "seu fedentino"
procure prestar atenção
Não existe fedor maior
Do que a sua reputação
Faça noite ou faça dia
Faça inverno ou verão
Dama, Lagos e Cia.
É uma só podridão

Mas uma coisa eu garanto
Com grande convicção
Nunca vi rosa feder
Seja em qualquer estação
Ainda mais na primavera
No tempo da floração

E por ser um cantador
Afirmo num tom maior
Que essa inhaca de vocês
Não existe coisa pior
E quanto as nossas fragrâncias
Não existe nada melhor
Ainda mais quando juntamos
Rosa e Ana numa só.

Jornal Veja Agora

O saco de Zé Noel tá na mão de "Desso" Lago
Cantador: Zé Fogaréu

Tem puxa que é azarento
Tem ouro que é fiel
Não há puxa mais gorento
Do que o puxa de aluguel
Se compara ao puxa assento
Como cobra cascavel

Zé Fuleiro, nunca vi
Tanto puxa a granel
Que o saco de Zé Carneiro
Ficou preso no espinhel
Ou na mão do "Desso" Lago
Com a pedra do seu anel

Disseram que pra puxar
Pediu ao Imparcial
Pra que a turma do pinel
Comemorasse o Natal
Criasse o Zé Noel
Três meses do carnaval

Esse puxa propaganda
Que não escolhe papel
É puxador que não manda
No traço do seu pincel
Como esse puxa imoral
Que vomitou Zé Noel

O problema não é criar
Se cria até bestarel
É pra essa gente explicar
No formato de um painel
Quem é que vai carregar
O saco de Zé Noel

O Zé Noel foi criado
Com tudo o que tem direito
Um saco maior que o lago
Pra ninguém botar defeito
Pra que falar da mancada?
Agora não tem mais jeito

O puxa já disse, é claro,
O grande autor da invenção
Se o homem sacar, aáro,
O saco não cai no chão
E mando botar reparo
No saco do Zé do Cão

O grande carregador
Do saco é o mais bem pago
Carregou a oposição
Que acabou fazendo estrago
E mudou de opinião
E agora segura o bago
O saco de Zé Noel
Ta na mão de "Desso" Lago

O saco de boca larga
Tem a mala do PT
E uma mensagem amarga
Que o próprio Dutra vai ler
Assim que mostrada a carga
Pelo Chico na TV

O saco de Zé Noel
Tá inflado de mentira
A inveja que carrega
Nem pelo saco transpira
O ódio que o mantém vivo
É o ar que ele respira

O saco de Zé Noel
Não atrai uma criança
Tá cheinho de descrença
Por onde amargura avança
Se o Natal é uma bênção
O dele é desesperança

O saco de Zé Noel
Tá encolhido de manha
Inspira só meu cordel
Com a chibata que ele apanha
Mas não paga as promessa
Que ele fez na campanha

O saco de Zé Noel
Não nos faria favor
Se tivesse o dinheiro
Pra pagar o professor
Com os milhões das estradas
Que o fantasma levou

O saco de Zé Noel
Carregado de esperteza
Devia ter era carne
Que prometeu pra pobreza
Eu chego em casa e não acho
Nenhum pedaço na mesa

O saco de Zé Noel
É riso de secretário
Ganhando sem trabalhar
O dia sem ter horário
E nem lugar pra ficar
Fazendo da gente otário

O saco de Zé Noel
Tá todo autografado
Com lembrança de prefeito
Parabéns de deputado
Que pegaram a nossa grana
Loteando o nosso Estado

O saco de Zé Noel
Tem é gás lacrimogêneo
Pra quem abrir e olhar
O que tem de homogêneo
Prefeito, carta convite
Deputado de convênio

O saco de Zé Noel
É muito grande, pai d'égua
De tanto Lago puxar
A grande passou a régua
Se couro de saco estica
O dele dá uma légua

O saco de Zé Noel
Sé usa cueca alheia
Quando tá cheia de grana
Vai pra Camargo Corrêa
Se pobre contar com ele
Na certa não vai ter ceia

O saco de Zé Noel
É o fundo da pobreza
Com certeza não tem fundo
Porque no fundo é tristeza
De um lago imenso e profundo
Engano da natureza

Lá vem o saco puxado
Em cama de um carretel
É tanta mão empurrando
A mão do saco de mel
Que se meter fica o dedo
Mas não volta com o anel

Falar nisso é tanto saco
Pra ser melado no ovo
Tanto puxa de macaco
Ensaiando um salto novo
Apelidando o velhaco
Agora de Zé do Povo

Êta! puxa de primeira
Êta! mão de ferrabrás
Zé Carneiro, Zé do Povo
È coisa de Satanás
Com essa de Zé Noel
O puxa já tá demais

Vai ver que o saco do Zé
Tá cheio de vaidade
De outra coisa não é
Pois já passou da idade
Que repartir com a ralé
O que não tem de verdade

De trenó especial
Lá vai a turma da bossa
Com o saco de Zé Noel
Que só mão boba que coça
Protegido pelo lago
Que vai puxando a carroça

No saco de Zé Noel
Tem gosto pra todo bicho
Tem a PEC do ciúme
E outra taxa do lixo
Que encomendou pro Palácio
Satisfazer seu capricho

No saco de Zé Noel
O imaginário tem vez
Cabeleira de pastel
Que a Telma Pinheiro fez
O retrato mais fiel
Do Convento das Mercês

No saco de Zé Noel
Em louvor à parentada

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