Home » Edições Anteriores » Dezembro/2005 » Edição 126 » Cordeis
Cordéis
Data de Publicação: 18 de dezembro de 2005 | | |
| O PERFUME DA ROSA E O MAL CHEIRO DO REI Cantador: Boca de Fogo
Lá vem o rei Sugismundo Com o Lago velho nas costas Tanto fede o velho lago Como o rei que o transporta Se for pra nos enganar Contando as mesmas lorotas Quando eles chegarem perto Soltem os cães e fechem as portas
Lá vem a dama da corte Disfarçando lentamente Prevendo a queda do touro E o desmantelo da frente Já pensando em novos rumos Numa vida independente Deixando um rei para trás Atormentado e demente
Lá vem o outono chegando Com o mês de outubro esperado E o dia três decisivo Pra acabar esse reinado Depois não queiram dizer Que já não foram avisados
Lá vem a grande guerreira Subindo em toda pesquisa Livre, forte, soberana E suave como a brisa Junte-se a nós enquanto há tempo Ou vá tirando a camisa Reinaldista apaixonado Para pegar uma pisa
Nunca vi plantar espinho E não ter dor para colher Como quem se acostumou Com a sombra do poder Dando uma de moralista Nas alcovas do prazer
Esses, sim, é que já deram O que eles tinham de dar Uns deram pra puxar saco E outros para furtar Mas tem veado mansinho Que é difícil tolerar
E quando chega à Assembléia Se torna um parlamentar E de tantas falcatruas Ele começa a soltar Uma inhaca desgraçada Que mais parece um gambá
E já que falei nos bichos Hoje mesmo eu vou cuidar De fazer uma armadilha Para poder agarrar Um certo cachorro doido Pra carrocinha levar
E os criadores de farsa Puxando saco em vão Pedro Freire, Dr. Peta O Sabujo e o Babão Que só escrevem mentiras Por não ter televisão
Mas tem o Chico Viana Um tipo de falastrão Daqueles que jogam pedras Com outro lhe dando a mão Mas nunca acertaram uma Porque quem joga é o bichão.
Toda essa camarilha Nós temos que despachar Direto para as profundezas Onde eles devem ficar Atentando o demo com reza E nunca mais aqui voltar
E nos recintos do império Só vendo pra acreditar No que está ocorrendo De quatro anos pra cá Uma ciranda de sujos Que dá nojo até pensar Pra onde só vão festeiras Que gostam de vadiar Veja o nosso Maranhão Nas mãos de quem foi parar
De um lado um rei sem pudor No fim de uma trajetória Cheio de contradições Sobre uma vida ilusória Entre um reino de folia E as ambições de uma glória Sem passado e sem presente E sem nome para a história
Do outro lado o rei dos gatos Roubando a população Cobrando o que não devemos Sem ter dó nem compaixão Tanto rouba com seus gatos Como faz tapeação Na campanha era um santo No poder é um ladrão
Ó, seu cara repuxada Cabeleira de cuandu Do jeito que você rouba Vai deixar a gente nu Portanto, pegue a sua taxa E junte com o IPTU Transforme num silicone E tape o buraco do ouvido
Por essa não haver rimado Vou falar no infeliz Que quis sujar nossa rosa Lá dentro de Imperatriz Um rei tão sujo e imundo Que já nem sabe o que diz
Respeite "seu fedentino" procure prestar atenção Não existe fedor maior Do que a sua reputação Faça noite ou faça dia Faça inverno ou verão Dama, Lagos e Cia. É uma só podridão
Mas uma coisa eu garanto Com grande convicção Nunca vi rosa feder Seja em qualquer estação Ainda mais na primavera No tempo da floração
E por ser um cantador Afirmo num tom maior Que essa inhaca de vocês Não existe coisa pior E quanto as nossas fragrâncias Não existe nada melhor Ainda mais quando juntamos Rosa e Ana numa só.

O saco de Zé Noel tá na mão de "Desso" Lago Cantador: Zé Fogaréu
Tem puxa que é azarento Tem ouro que é fiel Não há puxa mais gorento Do que o puxa de aluguel Se compara ao puxa assento Como cobra cascavel
Zé Fuleiro, nunca vi Tanto puxa a granel Que o saco de Zé Carneiro Ficou preso no espinhel Ou na mão do "Desso" Lago Com a pedra do seu anel
Disseram que pra puxar Pediu ao Imparcial Pra que a turma do pinel Comemorasse o Natal Criasse o Zé Noel Três meses do carnaval
Esse puxa propaganda Que não escolhe papel É puxador que não manda No traço do seu pincel Como esse puxa imoral Que vomitou Zé Noel
O problema não é criar Se cria até bestarel É pra essa gente explicar No formato de um painel Quem é que vai carregar O saco de Zé Noel
O Zé Noel foi criado Com tudo o que tem direito Um saco maior que o lago Pra ninguém botar defeito Pra que falar da mancada? Agora não tem mais jeito
O puxa já disse, é claro, O grande autor da invenção Se o homem sacar, aáro, O saco não cai no chão E mando botar reparo No saco do Zé do Cão
O grande carregador Do saco é o mais bem pago Carregou a oposição Que acabou fazendo estrago E mudou de opinião E agora segura o bago O saco de Zé Noel Ta na mão de "Desso" Lago
O saco de boca larga Tem a mala do PT E uma mensagem amarga Que o próprio Dutra vai ler Assim que mostrada a carga Pelo Chico na TV
O saco de Zé Noel Tá inflado de mentira A inveja que carrega Nem pelo saco transpira O ódio que o mantém vivo É o ar que ele respira
O saco de Zé Noel Não atrai uma criança Tá cheinho de descrença Por onde amargura avança Se o Natal é uma bênção O dele é desesperança
O saco de Zé Noel Tá encolhido de manha Inspira só meu cordel Com a chibata que ele apanha Mas não paga as promessa Que ele fez na campanha
O saco de Zé Noel Não nos faria favor Se tivesse o dinheiro Pra pagar o professor Com os milhões das estradas Que o fantasma levou
O saco de Zé Noel Carregado de esperteza Devia ter era carne Que prometeu pra pobreza Eu chego em casa e não acho Nenhum pedaço na mesa
O saco de Zé Noel É riso de secretário Ganhando sem trabalhar O dia sem ter horário E nem lugar pra ficar Fazendo da gente otário
O saco de Zé Noel Tá todo autografado Com lembrança de prefeito Parabéns de deputado Que pegaram a nossa grana Loteando o nosso Estado
O saco de Zé Noel Tem é gás lacrimogêneo Pra quem abrir e olhar O que tem de homogêneo Prefeito, carta convite Deputado de convênio
O saco de Zé Noel É muito grande, pai d'égua De tanto Lago puxar A grande passou a régua Se couro de saco estica O dele dá uma légua
O saco de Zé Noel Sé usa cueca alheia Quando tá cheia de grana Vai pra Camargo Corrêa Se pobre contar com ele Na certa não vai ter ceia
O saco de Zé Noel É o fundo da pobreza Com certeza não tem fundo Porque no fundo é tristeza De um lago imenso e profundo Engano da natureza
Lá vem o saco puxado Em cama de um carretel É tanta mão empurrando A mão do saco de mel Que se meter fica o dedo Mas não volta com o anel
Falar nisso é tanto saco Pra ser melado no ovo Tanto puxa de macaco Ensaiando um salto novo Apelidando o velhaco Agora de Zé do Povo
Êta! puxa de primeira Êta! mão de ferrabrás Zé Carneiro, Zé do Povo È coisa de Satanás Com essa de Zé Noel O puxa já tá demais
Vai ver que o saco do Zé Tá cheio de vaidade De outra coisa não é Pois já passou da idade Que repartir com a ralé O que não tem de verdade
De trenó especial Lá vai a turma da bossa Com o saco de Zé Noel Que só mão boba que coça Protegido pelo lago Que vai puxando a carroça
No saco de Zé Noel Tem gosto pra todo bicho Tem a PEC do ciúme E outra taxa do lixo Que encomendou pro Palácio Satisfazer seu capricho
No saco de Zé Noel O imaginário tem vez Cabeleira de pastel Que a Telma Pinheiro fez O retrato mais fiel Do Convento das Mercês
No saco de Zé Noel Em louvor à parentada
- Próximo texto:
- Editorial Carta a Zé Noel
- Texto Anterior:
- Colunas Políticas Madame Natasha - Sabe Tudo!
- Índice da edição - Edição 126
|
|
 Edição 126 |