O secretário-executivo da Abersal (Associação Brasileira dos Extratores e Refinadores de Sal), Afrânio Barreto, nega que tenha havido pressão do setor salineiro para a mudança dos teores de sal entre 1998 e 2003.
Segundo ele, na época, houve reclamações das indústrias sobre a margem estreita de iodo permitida (40 a 60 microgramas por quilo de sal), dificultando a adição correta do micronutriente.
'Ou havia excesso ou havia falta. Por isso, muitas indústrias começaram a ser multadas. Pedimos ao ministério para aumentar a margem, a exemplo do que tinha acontecido nos EUA.'
Procurado, Gonçalo Vecina Neto, presidente da Anvisa em 1998, não foi encontrado para comentar o assunto.
Barreto diz que a mudança não foi à revelia do Ministério da Saúde, mas sim baseada em estudos feitos pela pasta durante um ano. Nem o ministério nem a Abersal souberam informar onde estariam esses estudos.
'Há muito folclore sobre a indústria salineira. O setor não tem esse poder', diz.
Para ele, também é 'folclore' a hipótese de que o excesso de iodo está levando ao aumento de casos de hipotireoidismo. 'Não há estatísticas confiáveis sobre isso que justifiquem esse temor.'
Ele diz que, para estudar a real influência do sal na saúde das pessoas, o país deveria investir em pesquisas. 'Ninguém sabe ao certo o consumo por pessoa. Além do sal utilizado no preparo dos alimentos, há o sal dos produtos industrializados.'
O sal, diz, garante vários nutrientes à população. Além do iodo, ele diz que há países que estão adicionando flúor e ferro ao sal.